ARTE, CULTURA & LAZER

Adeus a Benito Latorre

Cozzato e Latorre em Oshkosh, em 2015

Uma das missões mais difíceis para um jornalista é fazer um obituário de uma pessoa de seu círculo social. Quando é um amigo então, é bem pior. Não há forma fácil de explicar o sentimento de perda, mas resolvi aceitar o desafio proposto pelo Cláudio Lucchesi para
honrar, nem que com poucas palavras, o grande amigo que era Benito Latorre.

Nascido em São Paulo, Benito foi um dos maiores plane spotters que conheci na vida. A primeira vez que o vi foi há muitos anos no “morrinho”, um local bastante frequentado pelos apaixonados por aviação no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos. Dali em diante, nossos encontros se tornaram frequentes; afinal, dividíamos a mesma paixão: fotografar aviões.

Benito era mais do que um plane spotter; era um colecionador de matrículas e pinturas.  Qualquer que fosse o modelo, companhia aérea, registro, aeroporto, pintura especial,  lançamento, voo de traslado, avião presidencial, faça chuva ou sol, lá estava Benito e sua
câmera.

Pra mim, ele ultrapassava o colecionador. Benito era um historiador. Sabia tudo sobre as companhias aéreas, os aviões utilizados e os encomendados, quando foi recebido, quando foi devolvido, quando os novos iriam chegar. Dava gosto conversar com ele, um verdadeiro
“nerd” aeronáutico.

Não bastasse fotografar, ainda voava em ambientes simulados, uma vez que não conseguiu levar adiante o sonho de ser piloto, mesmo tendo os cursos iniciais. Outra paixão era a cozinha oriental, um verdadeiro mestre na arte do sushi.

Estivemos juntos em diversas oportunidades, fosse uma cobertura de uma feira de aviação, aqui ou no exterior, fosse uma tarde em Congonhas ou Guarulhos. E quanta falta ele vai fazer, com aquele sorrisão estampado no rosto, sempre disposto a ajudar, a contar histórias, a ser uma pessoa extremamente afável e amiga.

Como todo bom aviador que era, mesmo que apenas na essência, Benito Latorre estendeu suas asas e hoje voa mais alto do que qualquer avião. Vá em paz, meu amigo.

Rodrigo Cozzato

Na foto:

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Redação

Comentários

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  • Ele deve ter ganho asas velizes e furiosas pra cortar esse céuzão que ele me ensinou a admirar, pq qd o conheci eu só olhava pro chão, e uma vez ele me disse, “olha pra cima dona Su, olhar pro céu é mais bonito”…vá em paz nenino, e voe, o céu é todo seu….sentiremos sua falta….

  • Aiiii, meu deus do céu.
    Doeu bastante saber dessa notícia. Um brilhante AMIGO.
    Mas como já dizia Renato Russo: “É tão estranho, os bons morrem jovens”.
    Que deus o abençoe.

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