AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA DOS ARQUIVOS DE ASAS

Barão Vermelho: Uma lenda de apenas 25 anos

Até hoje, mesmo quem não se interessa tanto por aviação sabe muito bem a história de um avião de caça pintado de vermelho...

Hoje, 2 de maio de 2019, Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen completaria 127 anos. “Ás dos Ases”, com 80 aeronaves inimigas derrubadas durante a Primeira Guerra Mundial, ficou conhecido como “Barão Vermelho” por conta da cor que adotou em suas aeronaves.

Sua fama mundial esconde um fato muitas vezes esquecido: Richthofen viveu apenas 25 anos. Nascido em Breslau, cidade que em 1892 fazia parte do Império Alemão e hoje é parte da Polônia, ele ingressou no Exército Prussiano em 1911, aos 19 anos, atuando na cavalaria, arma pela qual combateu no início da guerra, em 1914.

Só no verão do ano seguinte ele seria transferido para aeronaves, mas não como piloto: atuava como observador das tropas em solo. Há relatos de que nessas condições o “Barão Vermelho” teria feito sua primeira vítima. Porém, esse “abate” não foi creditado.

Em março de 2016, ainda com 23 anos, von Richthofen finalmente assumiu sua função como piloto no Kampfgeschwader 2 (Esquadrão de bombardeio No. 2), voando um Albatros C.III biposto. O início não foi fácil, sendo mal avaliado pelos seus superiores. A primeira vitória aérea confirmada viira em 17 de setembro.

O Barão Vermelho exibe a mais alta condecoração do Império Alemão. Ele iria morrer menos de um ano depois

Ali ele começou a desenhar o seu estilo. Não era um piloto de extrema habilidade, mas sim um estrategista frio e preciso. Ele se apegou ao máximo às oito regras de combate aéreo elaboradas por Oswald Boelcke, outro às alemão. Eram elas:

  1. Tentar obter alguma vantagem antes de atacar. Se possível, manter o sol atrás de você.
  2. Sempre que iniciado um combate, permanecer nele até ao fim.
  3. Disparar apenas quando a aeronave inimiga estiver na mira e a curta distância.
  4. Manter sempre contato visual com o oponente e não se deixar levar por artimanhas dele.
  5. Em qualquer tipo de ataque, é essencial estar sempre atrás do inimigo.
  6. Se o oponente mergulhar em sua direção, nunca tentar fugir, e sim na direção dele.
  7. Sempre em mente uma rota segura para retornar à base.
  8. Dica para esquadrilhas: o mais viável é atacar em formações de quatro ou seis. Quando o combate separar as aeronaves em combates separados, ter cuidado para que várias não sigam um mesmo alvo.
O Fokker Dr.I voava a até 185 km/h e era equipado com duas metralhadoras 7,62mm

Em uma época em que os pilotos de combate eram vistos como cavaleiros nobres, verdadeiros ídolos nacionais, a vitória sobre o primeiro ás inglês, Lanoe Hawker, fez a fama de von Richthofen. Foi um longo combate aéreo, com as aeronaves Albatros D.II e DH.2 sem conseguir vantagens uma sobre a outra. Até que Hawker tentou fugir para o espaço aéreo sobre as trincheiras inglesas e, a vistas das tropas em solo, acabou alvejado com um tiro certeiro na cabeça.

O status “lenda” veio, porém, por causa de um fracasso do Barão Vermelho. Em 6 de julho de 1917, ao enfrentar uma formação de caças ingleses F.E.2d, Richthofen acabou abatido pelo Captain Donald Cunnell, da Royal Air Force (que viria a ser morto em combate 6 dias depois). O ás alemão conseguiu fazer um pouso forçado, porém gravemente ferido. Durante seu período de recuperação, até 23 de outubro, ele escreveu a auto-biografia Der rote Kampfflieger (“O Caçador Vermelho”), uma verdadeira peça de propaganda de guerra, com vários indícios de censura e edição realizadas por altos oficiais alemães.

A glória crescia. Com 29 condecorações, seu avião Fokker Dr.I se tornou sinônimo de às. O apelido “Barão Vermelho” veio da forma como se auto-denominava (“caçador vermelho”) aliado ao título de nobreza que detinha, de Freiherr, muitas vezes traduzido como “Barão”. A propaganda alemã espalhava a falsa informação de que os ingleses teriam criado esquadrões só para abatê-lo. A elegância e até suas manias, como só partir para missão depois de receber um beijo, pouco a pouco o tornaram o personagem mítico conhecido até hoje.

O Império Alemão tentou afastá-lo do voo, com medo de que sua eventual morte abalasse a moral das tropas. E foi o que ocorreu. Às 11 horas da manhã de 21 de abril de 1918, nos céus da França, levou um tiro fatal no peito. Até hoje se discute se o crédito vai para tropas australianas em solo ou para o piloto canadense Arthur Roy Brown.

Ferido, o Barão Vermelho ainda tentou fazer um pouso forçado. Mas teve uma morte rápida.

Aos 25 anos.

Tropas australianas com os restos da aeronave do Barão Vermelho

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