ARTE, CULTURA & LAZER

Greg Hildebrandt

O universo mágico de J.R.R. Tolkien, a saga interestelar de “Star Wars”, as aventuras em quadrinhos dos super-heróis da Marvel e da DC Comics, e até o heavy metal de Black Sabbath e as fantasias de Harry Potter tem a marca de sua arte!

Num bate-papo exclusivo para os leitores de ASAS, conversamos com um dos maiores artistas vivos da cultura pop norte-americana sobre sua arte, seu processo criativo, pin-ups,… e aviões.

 ASAS – Como foi que surgiu The Brothers Hildebrandt (Os Irmãos Hindebrandt)?

GREG HILDEBRANDT – Este nome, The Brothers Hildebrandt, surgiu em 1976, quando a Ballantine (famosa companhia editora norte-americana) publicou o primeiro calendário de “Lord of the Rings” (O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien), ilustrado por nós. Isto criou o apelido, The Brothers Hildebrandt, com o qual passamos a ser conhecidos desde então. Porém, veja bem, eu e meu irmão Tim (falecido em 11 de junho de 2006) somos gêmeos idênticos. Passamos toda a nossa vida juntos, criando uma coisa ou outra desde que tínhamos três anos de idade!

ASAS – A sua carreira profissional começou em 1959, mas apenas em 1999 é que você voltou a sua atenção (e sua arte) ao tema das pin-ups. O que o levou às pin-ups?

GH – Passei a maior parte da minha carreira dedicando-me à ficção científica, à fantasia e à ilustração. Quando fiz 60 anos, em 1999, quis fazer algo apenas por mim mesmo, só por prazer. Bem, quando eu era um menino, sempre descia no porão do meu avô para olhar os calendários de pin-ups, que ele dependurava nas paredes. Eu amo este estilo de arte, e sempre quis fazer a minha série pessoal de pin-ups. Dois dos meus artistas favoritos são Gil Elvgren e Alberto Vargas. Tenho uma paixão pelas mulheres, e espero que isto possa ser sentido na minha arte. Eu amo pintá-las, e me dá uma grande diversão ter as idéias que depois vou querer pintar.

A pin-up é uma forma de arte muito antiga e interessante da cultura pop. Eu pensava que surgira na 2ª Guerra Mundial, mas descobri que não é assim. Os russos já pintavam garotas pin-ups nos narizes de seus aviões na 1ª Guerra Mundial!

Há uma fórmula de arte de pin-up – roupas, pose e atitude. Se você fizer as três corretamente, terá uma boa imagem. Eu queria que as minhas “American Beauties” (nome de sua série de pin-ups) fosse diferente daquela artes dos anos ’30 aos ‘50. Eu não quis copiar aqueles grandes artistas, mas fazer algo meu, próprio, naquele tema. Assim, a minha série tem subconjuntos. Temos as “Good-Girls”, as “Bad-Girls”, as “Show-Girls”, as garotas com barcos, carros e aviões, e cada pintura conta uma história. Eu sou um contador de estórias. Esta é a minha profissão. Eu conto uma história com a minha arte, e o observador pode acrescentar à minha estória ou modificá-la, ou construir sua própria estória.

ASAS – A sua arte vai do mundo da fantasia nos calendários à capas de álbuns de bandas de heavy metal, das pin-ups aos filmes campeões de bilheteria. Como você se descreve?

GH – Eu sou um artista representativista que ama pintar. E amo muitos temas. Eu não gusto de me rotular pois eu estou constantemente mudando o tema de minhas pinturas. Coisas demais me interessam, então são muitas idéias para pintar – e um tempo que nunca parece suficiente.

ASAS – Em 2013, você teve uma mostra individual em Moscou. Como foi a experiência de ter as suas “American Beauties” na Rússia?

GH – Recebi um telefone um dia de Sergy (o organizador da exposição). Ele queria me encontrar. Tinha acabado de voar desde Moscou, então eu disse, “claro!”. Ele ficou cerca de oito horas comigo, na minha casa. A sua ideia era uma mostra de pin-up em Moscou. E é claro que eu estava tentando formar uma imagem na minha cabeça de como isto iria parecer. Achei de início uma ideia muito estranha. Mas ele era insistente e então eu fiz a exposição. Que foi muito bem recebida. Ainda acho fantástico ter a minha arte na Rússia. E minha arte de pin-ups na Rússia foi uma verdadeira viagem – em todos os sentidos! Eu era uma criança quando vivíamos com medo de uma invasão dos russos. Costumávamos fazer treinamentos e nos esconder debaixo de nossas carteiras escolares, no caso de haver um ataque aéreo, e agora as minhas mulheres seminuas estavam a um quarteirão da Praça Vermelha! Foi uma viagem!

ASAS – Como é o seu processo de criação, especialmente no caso das pin-ups?

GH – Faço muitos esboços conceituais. Quando estou então pronto para a pintura, revejo meus esboços com minha agente, Jean Scrocco. Juntos, decidimos qual será o próximo trabalho que vou pintar. Isto depende de qual subconjunto queremos ampliar. Uma vez que escolhi o rascunho, Jean me traz uma modelo que combina com a garota no esboço. Ela posa então numa sessão de fotos. Sempre uso garotas reais para as minhas pinturas.

A seleção da modelo é feita por Jean. É ela que de fato traz a garota para mim.

Qualquer garota pode ser uma pin-up se ela quiser. Ela só precisa se sentir glamourosa, ou atraente, ou poderosa. Ela precisa curtir e entrar na personagem do esboço.

Eu a coloco com os trajes que já havia desenhado. A coloco na luminosidade que havia determinado no meu esboço. Então, faço um esboço final, e o transfiro para a tela.

ASAS – Quem são as mulheres das “American Beauties”? Como você as descreveria?

GH – Quem são elas? Bem, todas as mulheres são belas, então eu diria a você que todas as mulheres são American Beauties, se elas são da América. Mas incluo, na minha declaração sobre a beleza, todas as mulheres do mundo.  As minhas pin-ups parecem vir do passado, no presente. Eu fui influenciado pelos grandes mestres do passado, mas os meus conceitos são uma mistura do hoje e do ontem.

ASAS – E como foi pintar as suas pin-ups em aviões reais, em warbirds?

GH – O primeiro warbird que eu pintei foi o “Thoughts of Midnight”, um P-38 Lightning. Quando entrei naquele hangar no Texas e vi aquele avião pela primeira vez, fiquei tomado por sua beleza e estilo artístico. Tudo começou quando um colecionador ligou para a Jean e ela disse “sim”. Até hoje me lembro da sensação de reverência que senti quando vi a aeronave pela primeira vez. Tenho enorme admiração pelos homens que não tem apenas os meios, mas também o desejo para não apenas colecionar estes aviões, mas também os restaurar e colocar em perfeitas condições de voo. Tendo nascido em 1939, eu me lembro do fim da guerra. Quando eu e o Tim éramos crianças pequenas, costumávamos desenhar aviões o tempo todo. Então, como adulto e como artista, ter a minha arte nestas aeronaves é uma das maiores honras da minha carreira – e na minha vida.

Até o momento, já pintei nose arts naquele P-38, e num Bearcat, num bombardeiro B-25 e num Tigercat. Estou agora aguardando o fim do restauro de um P-51 Mustang, na Califórnia. Ele será o meu próximo trabalho num warbird.

ASAS – E como é a sua relação com a aviação?

GH – Todo garoto tem paixão por aviação. Todo garoto ama aviões, tanques, e jipes e grandes canhões. E a minha relação tem sido sempre a do meu amor em os desenhar e pintar. Éramos um time maravilhoso quando Tim e eu fazíamos as estórias em quadrinhos de “Terry and the Pirates”. Fizemos por um ano, inventando aviões e veículos anfíbios. Aviões são os brinquedos dos garotos grandes. Dão a eles a liberdade extrema de se mover ao redor do globo à sua vontade. E eu tenho me movido ao redor do nosso planeta à minha vontade por mais de 65 anos – com o meu pincel.

ASAS – E para encerrar, qual o seu warbird favorito?

GH – É sério, eu não tenho um favorito. Cada um destes aviões representa um pedaço da história e tem sua importância e magnificência. Cada um é um trabalho de arte. Cada um tem uma estória para contar. Eu só gostaria que pudessem falar…

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