AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

FAB despista sobre míssil mais letal do mundo

A Alemanha em breve também irá operar mísseis Meteor nos seus caças Typhoon

Daqui a poucos anos o Brasil terá a Força Aérea mais capacitada da América Latina em termos de missões ar-ar. Essa deve ser a consequência direta da possível quisição de cem mísseis ar-ar Meteor para os caças Gripen. Questionada pela Revista ASAS, a Força Aérea Brasileira informou que nem confirma nem nega a informação, por ser um assunto estratégico. De acordo com o jornal francês La Tribune, o contrato deve ser assinado no próximo dia 14 de junho.

Os detalhes específicos da arma não são revelados nem pelos operadores nem pela empresa fabricante, a MBDA, mas sabe-se que um Meteor é o míssil mais letal da atualidade. É capaz de voar a quatro vezes a velocidade do som e tem a maior “no escape zone” já alcançada por uma arma ar-ar: 60 km. Isso quer dizer que qualquer alvo a até 60 km de distância do avião lançador será destruído. Nem adianta tentar fugir ou fazer manobras. O desempenho seria três vezes maior que a “no escape zone” do AiM-120 AMRAAM, principal míssil utilizado pelos Estados Unidos e seus aliados.

Novo míssil se destaca visualmente pelas entradas de ar para seu motor scramjet. Foto: Kristofer Sjöström

O feito do Meteor é alcançado por meio da motorização. Os mísseis convencionais são equipados com um foguete, que os aceleram a velocidades supersônicas mas, que com o passar dos segundos, vão perdendo potência. Assim, a capacidade de o míssil alterar sua rota em busca do alvo ou de fazer manobras vai se perdendo. Já o Meteor mantém o uso do foguete no lançamento, mas conta também com um motor “scramjet”, que faz com que ele até ganhe velocidade durante o voo. O novo míssil pode, inclusive, acelerar ao chegar mais próximo do alvo, tornando qualquer tentativa de manobra da presa completamente inútil.

A nova motorização também proporciona maior alcance. Ainda que esse dado não tenha sido revelado em detalhes até hoje, fala-se que ele supera os 100 km de distância. Outra informação apontada por especialistas é que o Meteor tem uma manobrabilidade até seis vezes maior que a apresentada pelo AiM-120 AMRAAM norte-americano. Mísseis russos também devem ser superados. Não por acaso, a Índia já avaliou a possibilidade de integrá-los aos caças Sukhoi Su-30, enquanto os EUA avaliam uma nova versão do AMRAAM para conseguir fazer frente ao concorrente europeu.

Os testes do Gripen de nova geração com o Meteor foram finalizados em 2018

O sistema de guiagem também traz inovações. Primeiro, o Meteor utiliza dados da aeronave lançadora. Depois, utiliza um sistema de navegação inercial para posteriormente acionar seu próprio radar ativo. Há, também, a integração com o caça via datalink: o avião pode atualizar quaisquer dados sobre o alvo e, no caso do Gripen, os dados coletados pelo radar do míssil também serão enviados para a aeronave.

O Meteor é um produto da MBDA, empresa formada pela Airbus, Leonardo e BAE Systems. Espanha, França, Reino Unido e Suécia já operam com o Meteor em seus caças Eurofighter Typhoon, Rafale e Gripen. Alemanha, Arábia Saudita, Catar, Coreia do Sul, Egito e Itália são outras nações que devem receber o míssil. Há a expectativa de integrá-lo também ao F-35, atualmente equipado apenas com os AiM-120 AMRAAM, de geração anterior.

Uma vantagem é que, apesar das inovações, o míssil não é grande: são 3,7 metros de comprimento e 190 kg de massa, o que o torna possível levá-lo sob as asas da maioria das aeronaves de combate atuais. Um AiM-120, por exemplo, tem 3,7 metros e 152 kg. São praticamente os mesmos números do russo R-77.

Arte da Saab revela as opções de armamentos para os novos Gripens brasileiros

Também sem confirmação da Força Aérea Brasileira, em 2015 foi divulgada a compra de mísseis ar-ar de curto alcance IRIS-T e A-Darter, este último fruto de uma parceria da África do Sul com o Brasil. Aliadas ao novo radar de abertura sintética Raven, essas armas devem fornecer uma capacidade de defesa aérea do mais alto nível em todo o mundo. Os Gripen brasileiros devem receber ainda bombas inteligentes Spice, além de manterem o canhão de 27mm.

Em uma missão exclusivamente de defesa aérea, um F-39E, como a aeronave será designada na FAB, poderá decolar com até sete mísseis Meteor e um par de IRIS-T ou A-Darter, além do canhão. Dessa maneira, o jato poderá, inclusive, atingir o “supercruzeiro”, que é a capacidade de voar em velocidades supersônicas sem uso de pós-combustão, isto é, com menor consumo de combustível.

Em 2019 deve ocorrer o primeiro voo de um F-39E brasileiro e a entrega da primeira aeronave, a ser utilizada em testes. As primeiras para uso operacionais devem chegar a Anápolis (GO) em 2021. Todas as 36 devem voar até 2024. E assim devem permanecer até pelo menos o ano 2040.

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Redação

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  • Invejável a capacidade. No entanto acredito que na guerra moderna a capacidade ar-ar não é o quesito mais importante para a defesa aérea. Um sistema confiável de mísseis SAM integrados em um sistema de radares de detecção proporciona uma capacidade infinitamente maior à da antiga interceptação.

    • Em um territorio a extensão do brasileiro, a cobertura SAM pode ser utilizada em areas especificas, mas nunca havera cobertura plena, mesmo com um bom sistema AA, dependemos da interceptadores para cobrir todo o país.

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