AVIAÇÃO COMERCIAL E PRIVADA

O Legado dos aviões da Stemme AG

Por Marino Boric

Para muitos pilotos – e mesmo aqueles que são apenas entusiastas, Stemme é um nome que remete a inovação tecnológica em aviação. Esses aviões pertencem não apenas ao mundo dos motoplanadores – que remonta ao que existe de mais moderno deste segmento – mas a fabricante alemã que literalmente reinventou essa categoria. A fabricante germânica de fato alcançou padrões sem paralelo no mercado, surpreendendo o piloto com as capacidades de voo das suas aeronaves através dos projetos S6, S10 e, o mais recente, S12. E com estes, a empresa atingiu um antigo objetivo de proporcionar estilo, qualidade e a sensação de liberdade ao voar um motoplanador. Afinal, é uma categoria dentro da aviação geral, que mistura a força bruta de aeronaves com motores com a elegância e eficiência dos planadores.

Fundada em 1984 pelo Dr. Reiner Stemme, na cidade de Braunschweig (Alemanha), a Stemme AG voou em 1986 o protótipo do S10, que teve a sua estreia mundial pública feita no ano seguinte no Aero Trade Show, na Alemanha. A certificação foi obtida em 1990, momento em que as primeiras entregas dos exemplares de produção foram iniciadas.

O S10 possui 23m de envergadura, razão de planeio de 50:1 e tem disposição de assentos lado-a-lado, numa configuração não usual nesse tipo de aeronave, mas que proporciona melhor interação entre os seus ocupantes nesse voo desportivo. O seu motor é a pistão, um Rotax 914F Turbo, de 115hp de potência. Numa configuração que seria uma espécie de “assinatura” da marca, a hélice permanece guardada internamente, com as pás dobradas, até ser acionada pelo piloto. Somente então a carenagem do nariz se abre, acionando a hélice.

Em 1993, a Stemme mudou-se para Strausberg, próximo a Berlim, local em que consolidou as suas operações, até se tornar uma empresa de médio porte. Além das atividades de gerenciamento administrativo, em Strausberg estão sediadas as equipes de engenharia e de montagem final. E, continuando num desenvolvimento de sucesso, em novembro de 2006, a empresa alçou o voo inaugural do primeiro protótipo do S6. Contando com trem de pouso fixo e motor posicionado de maneira convencional, a aeronave é biplace lado-a-lado e teve a sua homologação conquistada junto a European Aviation Safety Agency (EASA, autoridade aeronáutica europeia) em 2008.

A Stemme lançou ainda, em abril de 2015, o Twin Voyager S12, na Aero Friedrichshafen. Sua certificação EASA foi emitida em março deste ano e, atualmente, está em processo de validação pela Federal Aviation Administration (FAA, órgão regulador aeronáutico dos EUA).

Com envergadura de 25m e compartimento extra de bagagem, o S12 possui um cockpit mais luxuoso e o que mais se destaca entre os motoplanadores de sua categoria. A sua velocidade de cruzeiro é de 260km/h, com uma razão de planeio de 53:1, o que faz com que o seu desempenho seja equivalente aos dos planadores usados em competição.

No seu caso, ao contrário do S10, o motor fica atrás do cockpit. O acionamento da hélice posicionada no nariz, no mesmo sistema do S10, é feito através de engrenagens movendo um eixo de fibra de carbono. E, tanto no S10 quanto no S12, as asas podem ser dobradas quando a aeronave está em solo, reduzindo a envergadura para apenas 11,4m.

Mais de 300 exemplares dos três modelos já foram produzidos pela Stemme, que sempre buscou dar enfoque em plataformas com excelente característica de voo e acabamento, usando técnicas avançadas e modernas no segmento de engenharia, materiais, componentes e linha de montagem.

E, se por um lado a empresa valorizou proporcionar a melhor experiência de voo a bordo dos seus aviões, por outro desenvolveu meios para que o cliente já sinta essa sensação ainda em solo. Tanto que introduziu novos padrões de cores, logotipos e acabamentos. Com grande atuação na Europa e Austrália, a empresa se prepara agora para se consolidar nos EUA – e se posicionar no Brasil.

Além disso, criou a “Horizons Tours”. Com o chamativo slogan onde o “desempenho encontra a paixão”, a Stemme está convidando pessoas para voar as suas aeronaves como passageiro ou piloto! Assim, a bordo de um S10 ou S12, as características de voo, qualidades e recursos dos motoplanadores serão explorados pelos convidados.

Os voos serão realizados nos mais belos e importantes cenários e paisagens da Europa. Além disso, será possível agendar uma vaga no programa “Above it All” da Adventure Tours. De agosto a setembro, o programa vai levar os participantes interessados para Innsbruck (Áustria), Estocolmo (Suécia) e Roma (Itália) para dois ou três dias de experiências de voo inesquecíveis. E, no final do dia, poderão relaxar em hotéis ou chalés românticos, e desfrutar de gastronomia selecionada acompanhada por vinhos especiais.

Mas a Stemme não tem apostado apenas no segmento desportivo de motoplanadores.

Nos últimos anos, a empresa adquiriu a ECARYS e a incorporou em sua estrutura. Tendo grande conhecimento e atuando na área de pesquisa e desenvolvimento, a ECARYS criou um novo avião dedicado a pesquisas científicas, reconhecimento, vigilância e capacidade para emprego civil, militar e no segmento de segurança pública. Designado de ES15, sua estrutura é robusta, resistente e versátil graças ao conceito modular, em que o operador pode configurar a aeronave com diferentes sensores e equipamentos.

Para chegar ao projeto final do ES15, a ECARYS contou com a cooperação de várias empresas. A francesa Sagem, que pertence ao Grupo Safran, foi uma delas, assim como institutos de ciência, tecnologia e até mesmo alguns governos contribuíram para o desenvolvimento do programa.

Com trem de pouso retrátil, a razão de planeio é de 34:1 e o consumo de combustível é de 15 litros por hora. Pode levar até 350kg de carga útil, chegar a 270km/h, alcance de 2.500km, autonomia para 20 horas e teto operacional de 7.620m. Os sistemas eletrônicos e sensores podem ser instalados sob as asas, fuselagem frontal ou no cone de cauda. Em termos ambientais, com as câmeras por infravermelho e convencionais, pode monitorar a atividade vulcânica, poluição marítima próxima a costa, detecção de fogo em florestas e vigilância da flora e fauna. Outros sensores permitem a coleta de amostras da atmosfera e análise de poluentes, partículas radioativas e outros. Câmeras coronas e multiespectrais podem detectar vazamentos em tubulações e mau funcionamento de estações elétricas.

A aplicação do ES15 também é útil para o monitoramento de fronteiras, pois graças a sua autonomia, pode permanecer por horas em voo. Neste caso, também, pode receber sistemas adicionais que permitem a realização de missões de inteligência com a interceptação eletrônica de sinais. Por fim, existe ainda a aplicação em mapeamento topográfico urbano, rural, de recursos naturais, de agricultura e até em casos de catástrofes naturais como inundações, por exemplo.

A plataforma é preparada para receber uma variedade de sensores, radares, câmeras, antenas e outros equipamentos indicados para cada tipo de missão.

As características das linhas harmônicas do S10 (primeiro plano) e o S6 em voo. É possível notar no S10 o motor acionado com a hélice saindo da carenagem do nariz.

O S12 possui alcance de 1.752km, com o uso do motor Rotax 914F Turbo de 115hp, e o motoplanador possui capacidade de 120 litros e consumo de 13 litros por hora.

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