AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

FAB bate recorde com voo de 18h45, passando por dois oceanos e 9 países em 14.240 km

O pouso de um KC-30 da Força Aérea Brasileira (FAB) na Base Aérea de Brasília, às 21h25 deste domingo, 15 de fevereiro, marcou um novo recorde brasileiro. O avião KC-30 do Esquadrão Corsário concluía o mais longo voo já realizado por uma tripulação brasileira, em uma rota direta entre Nova Déli, na Índia, e Brasília. A aeronave sobrevoou o Mar da Arábia e o Golfo de Aden, ambos no Oceano Índico, e o Oceano Atlântico, além do território continental de nove países: Índia, Somália, Etiópia, Quênia, Uganda, Ruanda, Congo, Angola e Brasil. A distância percorrida foi de 14.240 km.

Ao longo do percurso, o KC-30 adotou perfis de cruzeiro de 34 mil pés/10.363 metros (até o Golfo de Aden), 38 mil pés/11.582 metros (até o Congo) e posteriormente de 40 mil pés/12.192 metros, nível mantido até a aproximação da capital brasileira. A ground speed ficou, a maior parte do tempo, entre 430 (796 km/h) e 450 nós (833 km/h). O planejamento detalhado incluiu a aproximação do Brasil pelo sudeste: o KC-30 chegou a sobrevoar a cidade fluminense de Armação dos Búzios, quando houve a decisão de ir até Brasília e ocorreu o mudança no trajeto.

O KC-30 é a versão militarizada do Airbus A330, ainda que sem sistema de reabastecimento em voo.

O novo recorde quebra uma marca do próprio Esquadrão Corsário, registrada em outubro de 2025, de um voo de 18h30. “Cada missão de longo curso representa a validação do preparo técnico da tripulação e da estrutura de apoio do Esquadrão. Desde o recorde estabelecido no ano passado, temos demonstrado que nossa capacidade operacional é resultado de planejamento consistente, treinamento contínuo e integração entre todos os setores envolvidos. Participar de operações dessa natureza é motivo de grande orgulho profissional”, afirmou o chefe da Seção de Operações do Esquadrão Corsário, Major Willian Matos dos Santos.

Este alcance incomum foi possível por se tratar de um voo com pouca carga e baixo número de passageiros, quando comparado às capacidades do KC-30, versão militarizada do Airbus A330-200. Trata-se de uma missão de apoio à Presidência da República, mais especificamente ao grupo de militares e civis que realizam os preparativos para viagens do chefe de estado. Já no dia 17, o avião seguiu para Túnis, na Túnisia, de onde voltou para Nova Déli e de lá, hoje foi para Seul, na Coreia do Sul.

Apesar da designação KC-30, os Airbus A330 da FAB não têm capacidade de rebastecimento em voo

A FAB possui dois aviões do tipo, adquiridos usados, mas com vida útil estimada para operarem até o ano de 2054. O primeiro, com número de série MSN 1492 saiu da fábrica da Airbus em Toulouse em 2014. Com matrícula N941AV, voou com a Avianca da Colômbia. Em novembro de 2017, veio para a Avianca do Brasil, com matrícula brasileira PR-OCJ. Em 2019, foi rematriculado PR-AIS para voar com a Azul, porém a carreira foi encerrada em março de 2020, por conta da pandemia.

Já o MSN 1508 também ficou pronto em 2014 e estreou a vida ativa com a Avianca da Colômbia, com matrícula N508AV, de junho daquele ano a novembro de 2015. Estocado, voltou a voar só em julho de 2017, com a Avianca Brasil, onde teve a matrícula PR-OCK. As operações foram encerradas em março de 2019. Negociado pela Azul, não chegou a voar com as cores da companhia.

Apesar de utilizarem a designação KC, com as matrículas militares FAB 2901 e FAB 2902, as aeronaves até hoje não passaram pelo processo de modificação para o padrão Multirole Tanker Transport (MRTT).

VEJA TAMBÉM:

Sobre o autor

Humberto Leite

Comentar

Clique aqui para comentar

NOVA EDIÇÃO DA ASAS!

Carrinho