AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

FAB planeja ampliar alcance de aviões de busca e salvamento

Com responsabilidade de cumprir missões de busca e salvamento em uma área de 22 milhões de km², quase o triplo do território do Brasil, e sendo a maioria desse espaço sobre o Oceano Atlântico, a Força Aérea Brasileira (FAB) avança para multiplicar o alcance dos aviões SC-105 Amazonas, especializados na tarefa. O foco é certificar a operação de reabastecimento em voo a partir dos KC-390 Millenium.

Entre setembro e outubro, a Operação Tererê envolveu uma aeronave SC-105 voando ao lado de um KC-130 Hércules a fim de serem elaborados estudos sobre o comportamento de voo sob influência da esteira de turbulência de outra aeronave. Foram realizados ensaios em diversas altitudes, velocidades e pesos das aeronaves para verificar o desempenho e as qualidades de pilotagem. Contatos “secos” e “molhados” foram executados com sucesso.

As indicações estruturais providas pela instrumentação em condições distintas de aproximação, pré-contato com o cesto de reabastecimento, contato com o cesto e o reabastecimento propriamente dito, foram analisados e serão levados em consideração para a operação com o KC-390. Os voos foram conduzidos por militares do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV).

Busca e salvamento especializado

Sediadas em Campo Grande (MS), as três aeronaves SC-105 Amazonas são do Esquadrão Pelicano, criado em 1957 para atuar nessa missão. Até 2009, a unidade contava apenas com os aviões SC-95 Bandeirante, de baixa autonomia. Em 2009, chegou o primeiro C-105 Amazonas, basicamente um cargueiro com janelas em formato de bolha. Finalmente, em 2017, 2019 e 2020 foram recebidas as aeronaves com configuração específica para busca e salvamento, o que inclui a possibilidade de reabastecimento em voo e buscas noturnas.

Fabricados pela Airbus, os aviões já foram certificados para receber combustível dos aviões KC-130J Hércules. O Brasil ainda voa a versão mais antiga, o KC-130H. A ideia, porém, é certificar os SC-105 para receberem combustível dos KC-390, que no Brasil já entraram em serviço para substituir a frota de C-130/KC-130.

Busca com tecnologia

Hoje, o esquadrão já está totalmente operacional com a busca pelo sensor ótico, que inclui um imageador infravermelho, uma câmera de alta resolução e um telêmetro, capaz de calcular distâncias com precisão ou servir para “apontar” um local de interesse para tropas que utilizem óculos de visão noturna (NVG). Também já foi consolidada a doutrina para busca com o uso do radar em áreas marítimas e avançam os estudos para as buscas terrestres com o modo de “Radar de Abertura Sintética”, que faz um mapeamento de uma região em alta resolução, sendo possível identificar destroços mesmo à noite ou em meio a nuvens.

Criado originalmente para voar com até 73 ocupantes a bordo, a tripulação mínima de um SC-105 Amazonas de busca é de oito militares: dois pilotos, um mecânico, três operadores de sistemas e quatro observadores. Porém, para missões de longo alcance embarcam até 22 pessoas. No caso dos observadores, por exemplo, eles se mantêm com o olhar fixo por períodos de 30 minutos. Macas, poltronas extras, um banheiro e uma pequena cozinha de bordo ajudarão a cumprir as jornadas que poderão chegar a 16 horas ininterruptas.

22 milhões de km²

A adoção do radar de bordo já representou uma evolução na capacidade de busca marítima, mas o Esquadrão Pelicano precisa ampliar seu potencial com o reabastecimento em voo.

O Brasil é responsável por uma ampla área de busca e salvamento sobre o Oceano Atlântico. Ao todo, são mais de 22 milhões de quilômetros quadrados, sendo 8,5 milhões de km² de território continental, 3,5 milhões de km² de Zona Econômica Exclusiva no Oceano e 10 milhões de km² de águas internacionais.

Atualmente, a capacidade de busca e salvamento da unidade aérea é plena sobre o continente, mas limitada no Oceano. A possibilidade de reabastecer em voo permitirá atuar nos limites dessa área: hoje os SC-105 até são capazes de chegar lá, mas não têm autonomia para realizarem a busca, sendo obrigados a voltarem imediatamente.

O trabalho naquela região é essencialmente realizado pelos P-3AM Orion e pelos C-130 Hércules. Os KC-390 também foram projetados para auxiliar na atividade de busca com longo alcance.

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