AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

KC-X3: Sinal verde para a FAB comprar 2 jatos usados

Boeing 767 Júpiter da Força Aérea da Colômbia Foto: Fuerza Aérea Colombiana
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A Força Aérea Brasileira vai adquirir dois aviões de transporte e reabastecimento em voo. Serão aeronaves usadas e sem qualquer projeto de compensação comercial, tecnológica ou industrial. O objetivo é receber as aeronaves o mais rapidamente possível, por conta da necessidade de missões para combater a Covid-19.

A definição foi publicada hoje no Diário Oficial da União. O despacho decisório do Ministro da Defesa tem como foco autorizar a compra sem os projetos de compensação e cita que se tratarão de aeronaves usadas “de modo a reduzir o valor das ofertas”. Porém, é ressaltado que o par de aviões buscados “atendam plenamente às necessidades da Força Aérea Brasileira”.

No fim de janeiro, o próprio presidente Jair Bolsonaro anunciou em uma live a aquisição de dois “A230”, em uma possível referência aos Airbus A330. Não há nenhuma aeronave desta categoria em serviço na Força Aérea Brasileira. O objetivo é receber aviões capazes de carregar 240 a 600 cilindros de oxigênio ou, em outra configuração interna, receber seis pacientes em UTI’s móveis ou até 130 macas convencionais. Adicionalmente, o próprio despacho do ministro mantém a previsão de serem cumpridas, também, missões de reabastecimento em voo.

O mais provável é que sejam adquiridos aviões 767 ou Airbus A330. Dada a necessidade de adquirir as aeronaves rapidamente, o modelo A330MRTT somente será adquirido se algum dos países operadores (Austrália, Arábia Saudita, Cingapura, Coreia do Sul, Emirados Árabes, França, Reino Unido) decidir ceder suas aeronaves em uso. Há países que ainda aguardam a chegada dos seus aviões novos. Por outro lado, os EUA já tem uma frota de mais de 45 KC-46 Pegasus em serviço, versão militarizada do 767.

Também ganha força a opção de jatos 767 adaptados. Em 2013, a empresa israelense IAI chegou a vencer a concorrência, à época chamada de KC-X2, para fornecer dois 767. As aeronaves seriam compradas usadas de companhias aéreas, tal como foram os KC-137 operados pela FAB até 2013 e que haviam voado com a Varig como jatos 707 convencionais.

A FAB chegou a alugar um único Boeing 767 durante três anos, entre 2016 e 2018. Atualmente, não há nenhuma aeronave na dotação do Esquadrão Corsário, que operou os 707 e o único 767. Na América do Sul, Chile e Colômbia contam com o Boeing 767 em suas forças aéreas.

Hoje, as maiores aeronaves de transporte da frota são os KC-390 Millenium. Porém, são aeronaves com alcance máximo inferior a 6.000 km. Os jatos foram desenvolvidos pela Embraer para substituir os C-130 Hércules em missões como transporte de tropa e lançamento de carga, não para voos intercontinentais sem escalas.

Em fevereiro do ano passado, a repatriação de brasileiros que moravam em Wuhan, na China, ocorreu com o uso de duas aeronaves VC-2 (ERJ 190), com escalas em Fortaleza, Las Palmas (Espanha), Varsóvia (Polônia) e Urumqi (China). As missões de importação de vacinas, insumos e itens médicos do exterior têm sido possíveis com o uso de aeronaves civis.

Entre maio e julho, o Ministério da Infraestrutura já havia articulado a realização de 39 voos para buscar material médico comprado da China, como máscaras de proteção facial. As viagens foram realizadas por jatos 777 da companhia Latam.

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