AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

MQ-28 ou XQ-58? Novas aeronaves de combate da Alemanha não terão pilotos

Teste do AIM-120 com o MQ-28A Ghost Bat. Foto: Ministério da Defesa da Austrália

Disputas comerciais entre jatos de combate para conquista de contrato com forças aéreas chamam a atenção da imprensa desde meados do século XX. Foi o caso do YF-22 contra o YF-23 para a USAF; do Rafale, do Gripen e do F-18 para a FAB; ou mesmo do F-15 contra o F-14 para o Irã. À Alemanha cabe agora ser palco de uma disputa acirrada, mas com uma diferença significativa: os jatos a serem avaliados não têm piloto a bordo.

De um lado, está o Kratos XQ-58 Valkyrie, projeto inicialmente experimental, mas que começou a ser oferecido como opção para países que buscam drones armados, sendo oficialmente avaliado pelos Estados Unidos e, agora, pela Alemanha. O XQ-58 voou pela primeira vez em 2019 e agora tem a Airbus como parceira no desenvolvimento. Capaz de voar a Mach 0,85, até 45 mil pés e 5.600 de distância, o Valkyrie pode levar cerca de 550 kg de armamentos, divididos entre estações sob as asas ou um compartimento interno, este último assegurando características stealth.

O oponente é o MQ-28 Ghost Bat, desenvolvido pela Boeing para a Austrália, tendo voado pela primeira vez em 2021, e agora com parceria do grupo alemão Rheinmetall. A aeronave se destaca por já ter testado o lançamento de um míssil AIM-120 AMRAAM, havendo planos para alternativamente disponibilizar bombas GBU-39/B ou GBU-53. As informações sobre desempenho indicam ser “compatível” para voos a Mach 0,9 e teto de serviço de 40 mil pés.

Kratos XQ-58 Valkyrie em testes com os US Marine Corps. Foto: USAF

Nem o MQ-28 nem o XQ-58 foram criados para substituir diretamente caças tripulados, mas sim para atuarem como wingman, isto é, acompanharem os jatos com humanos. Por este motivo, o controle poderá ser autônomo, a partir de solo ou mesmo com indicações dadas por pilotos de outros caças que a Alemanha terá, como o Eurofighter Typhoon, já em serviço, e o F-35A Lightning II, ainda a ser recebido.

Os dois drones de combate também estão em fase de desenvolvimento, sendo possível que suas características sejam melhoradas ao longo dos anos, porém, com destaque para aspectos como integração de sistemas. Há, ainda, a possibilidade de outras aeronaves não tripuladas entrarem na disputa histórica conduzida na Alemanha.

Há, ainda, uma série de iniciativa do tipo por parte de outros países, em geral de olho em suas próprias forças armadas. É o caso do russo Sukhoi S-70 Okhotnik-B, do turco Baykar Bayraktar Kızılelma e do francês Dassault nEUROn.

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Humberto Leite

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