Há exatos 60 anos, em 9 de abril de 1966, voava pela primeira vez o T-25 Universal, aeronave até hoje responsável pela formação primária dos aviadores da Força Aérea Brasileira. O primeiro voo, ainda com a matrícula civil PP-ZTW, consolidava a capacidade da Sociedade Construtora Aeronáutica Neiva, de Botucatu (SP), em projetar e construir aeronaves para a FAB, após a bem-sucedida experiência com os U-42 Regente e L-42 “RegentELO”.
O T-25 foi criado com a ousada tarefa de substituir o North American T-6 Texan na formação de aviadores militares. Quem fez o projeto básico da nova aeronave da Neiva foi o engenheiro aeronáutico húngaro, radicado no Brasil, Joseph Kóvacs, que já havia criado o Regente e nos anos 70 assinaria o projeto do T-27 Tucano.

A aceitação na FAB foi positiva. Foram adquiridas 168 aeronaves, em dois lotes, muito mais que o suficiente para equipar os esquadrões da Academia da Força Aérea. Isso permitiu que o T-25 também tivesse operativa no Centro de Formação Piloto Militares (CFPM), em Natal (RN), além de unidades de ataque leve, como a 2º Esquadrilha de Ligação e Observação, e os Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque (EMRA). Nestes casos, os T-25 voavam com lançadores de foguetes, bombas e pods de metralhadoras sob a asas.
Além disso, os T-25 também servirem como aeronaves de ligação para diversas unidades da FAB, servindo de apoio para transporte pessoal e para manutenção de horas de voo de aviadores. Facilita o fato de que todos os pilotos da Força Aérea Brasileira têm o T-25 no seu histórico, sendo a primeira aeronave dominada pela maioria deles, sendo apelidado carinhosamente de “Tangão”.

O ápice da história como treinador ocorreu entre 1978 e 1983, quando o T-25 cumpria a missão de treinamento básico e avançado na AFA, no período entre a aposentadoria dos T-37 e a chegada dos T-27. Nesta fase, o “reinado” do “Tangão” também ficou marcado pela esquadrilha “Cometa Branco”, que entre 1980 e 1983 reuniu instrutores da AFA na função de unidade de demonstração aérea, principalmente nos eventos festivos de formação das novas turmas.
Nos anos 90, aconteceram pequenas mudanças na cabine, principalmente para adequação a novos procedimentos de navegação. A grande mudança, porém, é mais recente. No fim de 2024, voou pela primeira vez o protótipo modernizado do T-25 Universal. As aeronaves já estão em serviço no 2º Esquadrão de Instrução Aérea, na AFA. Ao todo, serão 38 aeronaves a passar pelo processo, realizado inteiramente no Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa (PAMA LS).

O processo de modernização do T-25 Universal, que agora passa a ser chamado de T-25M, inclui diversas melhorias em sua estrutura e tecnologia. O objetivo central foi aumentar a operacionalidade da aeronave, trazendo-a para os padrões tecnológicos mais avançados, ao mesmo tempo em que se mantém acessível para o treinamento de cadetes. Dentre as atualizações mais significativas, destacam-se a substituição dos sistemas elétricos e eletrônicos, que receberam equipamentos de última geração, e a renovação total das cablagens.
A modificação estrutural no painel de instrumentos da aeronave foi outro ponto importante. A nova configuração reduz a vibração e facilita a instalação dos novos componentes, o que resulta em uma aeronave 50 kg mais leve e, consequentemente, com maior capacidade de carga útil. Essa atualização não só melhora o desempenho da aeronave, mas também contribui para a economia operacional, um fator crucial em tempos de orçamentos apertados.

O projeto de modernização incorporou diversas tecnologias de ponta, como o Sistema de Navegação Global por Satélite (GNSS), que garante uma navegação precisa, o Sistema de Aviso e Percepção de Terreno (TAWS), que aumenta a segurança durante o voo, e o STORMSCOPE, que permite a identificação de tempestades e outras condições meteorológicas adversas. O sistema ADS-B, que transmite a posição e outros parâmetros de voo em tempo real, também foi integrado, proporcionando maior segurança e comunicação eficiente com o Controle de Tráfego Aéreo.
Além disso, a comunicação interna e externa da aeronave foi aprimorada com a instalação de novos sistemas digitais, oferecendo clareza e intensidade de sinal superiores. O sistema digital de monitoramento de parâmetros do motor, com alertas audiovisuais de velocidade, também contribui para a segurança e a eficiência das operações de voo.
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