A autorização do governo dos Estados Unidos para o Brasil adquirir 12 helicópteros UH-60M Black Hawk, além de equipamentos e armamentos, por até US$ 950 milhões, pode representar a venda de motores já com substituição planejada. Enquanto a oferta ao Brasil inclui 34 unidades do T700-GE-701D, nos Estados Unidos foi iniciado o processo para adotar os novos T901 Improved Turbine.
Os novos motores a serem adotados pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, também fabricados pela General Electric, devem proporcionar maior performance e alcance aos Black Hawk de lá. Além disso, haverá ganho em termos de economia de combustível, com custos operacionais mais baixos.

O primeiro par de T901 já está pronto para ser instalado em um Black Hawk de testes. Uma segunda aeronave vai se juntar à campanha para certificação. Dependendo do prazo necessário para o Brasil fechar o contrato e receber as aeronaves, o novo modelo já poderá em serviço.
Vale salientar que, mesmo com a compra, o Brasil não teria participação neste projeto de desenvolvimento. Diferentemente do que ocorre em outros processos de compra de aeronaves militares pelo Brasil, do F-39 Gripen aos C-105 Amazonas, passando pelos helicópteros H-36/HM-4/UH-15, o possível contrato para novos Black Hawk não incluem cláusulas de compensações industriais, econômicas ou tecnológicas, os chamados projetos de offset.
Manutenção
Além disso, a operação de aeronaves fabricadas pela Sikorsky no Brasil enfrenta há décadas um empecilho: a fabricante norte-americana nunca criou um centro de manutenção a altura dos seus principais concorrentes, como a Leonardo e a Airbus. No caso do Black Hawk, a Sikorsky tem uma conduta diferente. A empresa assina contratos de suporte logístico com seus clientes e há oficinas autorizadas a realizar serviços, porém, não um centro de manutenção comparável ao que os concorrentes oferecem.

A situação gera incômodo nas Forças Armadas, sobretudo porque modelos da Sikorsky estão em serviço há décadas por aqui: os primeiros foram os H-19D Chickasaw, comprados pela FAB em 1958 para cumprimento de missões de busca e salvamento com o Esquadrão Pelicano. Hoje, a família Black Hawk e Sea Hawk está em serviço com as três forças.
Agora, a autorização para compra concedida pelos Estados Unidos, solicitada pelo governo brasileiro, tem como objetivo substituir tanto os quatro UH-60L Black Hawk, designados HM-2, em serviço com o Exército Brasileiro desde 1997, quanto oito helicópteros HM-3 Super Puma em serviço desde 2002.



