AVIAÇÃO COMERCIAL & PRIVADA

Gol completa 25 anos

Criada quando os aeroportos brasileiros ainda eram dominados por aeronaves da Varig, Vasp e Transbrasil (além da TAM, hoje parte do grupo Latam), a Gol Linhas Aérea comemora hoje 25 anos de atividades operacionais. O primeiro voo, realizado por um Boeing 737-700, com prefixo PR-GOE, decolou de Brasília rumo a Congonhas às 6h56 da manhã de 15 de janeiro de 2001. A empresa foi, inicialmente, uma empreitada do empresário Nenê Constantino.

À época, conhecida pelas barrinhas de cereal no serviço de bordo, a empresa trazia uma proposta de passagens mais baratas frente aos concorrentes. Promoções de voos em valores que chegaram a custar R$ 50,00 ocorreram em paralelo a uma estratégia crescente de expansão de rotas e de frota. Já a partir de 2003, a empresa lançou uma inovação que hoje é corriqueira: o bilhete digital. Em 2008, veio o check-in digital.

Foto: Rafael Luiz Canossa

A expansão das rotas necessitou um pequeno passo atrás em termos tecnológicos. Além dos 737-700 Next Generation, a partir de 2004 a empresa passou a voar os 737-300, devolvidos em 2010. A consolidação como um dos maiores grupos de aviação da América Latina veio com a aquisição da Varig, em 2007. Aquele movimento permitiu a operação em todas as capitais brasileiras, inclusive com reforço da frota de 737, também possibilitada pela aquisição da Webjet, em 2012.

A compra da Varig acabou trazendo aeronaves que estavam fora dos planos da Gol de operar um único modelo de jato. Um Boeing 767-200 foi operado do natal de 2007 até 2011. Além dele, oito Boeing 767-300 foram operados, sobretudo em rotas de alta densidade.

737-800 com as cores da Varig, após aquisição da Gol. Foto: Luis Argerich

A partir de 2002, vieram os primeiros Boeing 737-800 Next Generation, sendo que 30 de julho de 2006, a Gol se tornaria operadora de uma versão customizada especialmente para suas necessidades: trata-se do 737-800 SFP (Short Field Performance), com adaptações nos slats e nos spoilers para permitir a operação segura no Aeroporto Santos Dumont, com pista de 1.323 metros com 189 assentos.

Um dos 737-800 acabou sendo perdido em 29 de setembro de 2006, após a colisão com um jato executivo pilotado por norte-americanos. A aeronave da companhia aérea era nova, tendo voado pela primeira vez em 22 de agosto de 2006 e entregue à Gol em 12 de setembro. As investigações apontaram que a Gol não teve qualquer falha na ocorrência, que foi tratada pela justiça brasileira como um crime.

A empresa registrou outros incidentes ao longo de sua história, como um pouso de emergência de um 737-800 em Viracopos, em 16 de outubro de 2011, e um incêndio de motor de outro 737-800, em 14 de fevereiro de 2016. Também houve uma colisão com pássaro que levou um 737-700 retornar logo após a decolagem de São Paulo, em 29 de abril de 2020. Nenhuma dessas ocorrências, porém, resultou sequer em feridos. São, portanto, 25 anos de operações sem ocorrências de segurança aérea que desabonem a segurança da Gol.

Militares da FAB com um dos gravadores do jato da Gol
Foto: Alessandro Silva / FAB

As maiores crises enfrentadas foram, na realidade, no campo da economia. Afinal, menos de nove meses após a sua criação, a Gol já enfrentou a crise global da aviação causada pelos atentados de 11 de setembro de 2001. Entre 2006 e 2008, a empresa esteve em meio ao chamado “Caos Aéreo” da aviação brasileiro, tendo ainda superado a crise econômica de 2015-2016, a pandemia de covid-19 e os problemas com os novos jatos Boeing 737 Max, recebidos a partir de 2021, sem que tenham sido registradas ocorrências com a empresa brasileira. Em 2024, a empresa entrou com processo de recuperação judicial dos Estados Unidos, concluído em 2025.

Hoje, a empresa tem uma frota de 143 aeronaves 737 NG e Max 8, com modelos Max 10 já encomendados. O time de profissionais supera 15 mil colaboradores. Há alianças ativas com Avianca, American Airlines e Air France-KLM, além de 60 acordos de codeshare e interline. Desde 2022, a empresa também faz parte do grupo Abra, uma holding que integra também a Avianca e a Wamos.

O clima para o aniversário de 25 anos é de otimismo. O ano de 2026 marca a maior alta temporada de verão da história da Gol, com crescimento de 20% em relação à oferta do verão 2024/2025, disponibilizando mais de 5.200 voos e 980 mil assentos. A empresa detém mais de 30% do mercado brasileiro de aviação comercial, ocupando a vice-liderança. 

Sobre o autor

Humberto Leite

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