Maior e mais moderno porta-aviões da US Navy, o USS Gerald R. Ford está no mar desde junho, quando partiu de sua base em Norfolk para atividades no Atlântico que incluíram missões na costa da Venezuela e, agora, posicionado no Mediterrâneo, como parte da pressão militar sobre o Irã. Porém, o sistema de banheiros do navio tem sido apontado como um verdadeiro martírio para os militares a bordo, comprometendo a capacidade de missão.
O The Wall Street Journal cita que banheiros tem sido bloqueados. O Daily Mail descreve a situação dos militares como “miserável”. O Gulf News fala da “Crise de esgoto”. Já o “Navy Times” diz que maior navio da marinha dos Estados Unidos continua a “sofrer” com problemas de encanamento. O tema já é foco até do US Government Accountability Office (GAO), equivalente norte-americano do Tribunal de Contas da União (TCU) brasileiro, que quer saber como um navio que custou US$ 13 bilhões pode ter esse tipo de problema. Já há dúvidas se a tripulação conseguiria desempenhar suas missões em caso de um conflito aberto contra o Irã.

Segundo reportagem da National Public Radio (NPR), rede pública de comunicação dos EUA, o GAO aonta que o sistema de esgoto à vácuo, semelhante ao usado por navios de cruzeiro, não tem condições de atender aos 4.600 militares a bordo, sendo subdimensionado e mal projetado. Equipes de manutenção já teriam precisado trabalhar por até 19 horas dias para tentar sanar as falhas constantes. Só em 2025, por 32 vezes o USS Gerald R. Ford precisou solicitar ajuda externa, de outros navios da frota. Em março de 2025, chegaram a ser registradas 205 avarias em quatro dias.
A US Navy informou que o sistema de esgoto deverá ser contemplado em um processo de modernização a ser realizado no USS Gerald R. Ford, semelhante ao realizado no USS George H.W. Bush, que também teve avarias do tipo, em 2013. Enquanto isso, o tema aparece de maneira recorrente em e-mails trocados entre militares e seus familiares, já havendo críticas se este tratamento é o esperado para a tripulação, que também sofre por ter tido o retorno ao porto adiado.

A expectativa era, finalizada a operação na Venezuela, já seis meses após a partida, haver o retorno ao porto de origem. Porém, o Pentágono ordenou a volta ao Mediterrâneo, sem haver agora qualquer prazo de quando ocorrerá o desembarque. A questão é se quem está a bordo vai aguentar a situação dos banheiros.
Nova classe
Designado CVN-78, o USS Gerald R. Ford foi lançado ao mar em 11 de outubro de 2013 e permaneceu em testes até a sua entrada oficial em serviço, em 22 de julho de 2017. Mais que substituir o antigo USS Enterprise, o novo porta-aviões é o primeiro de uma nova classe de navios, incorporando novas tecnologias, como sistema de catapultas eletromagnéticas e os Advanced Weapons Elevator (AWE). O projeto prevê a capacidade de conduzir 160 missões de aeronaves diariamente por mais de 30 dias, consecutivamente, chegando a picos de 270 missões.
As capacidades de defesa antiaérea foram aprimoradas com os radares AN/SPY-3, AN/SPY-4, AN/SPY-6(v)3 e AN/SPY-9B, além de novos sistemas de guerra eletrônica AN/SLQ-32(V)6, mísseis RIM-162 e RIM-116, além dos sistemas dos canhões Phalanx CIWS e de metralhadoras 25mm e .50. A tripulação deve passar de 4.600 pessoas para ocupar os 25 deques na estrutura de 333 metros de comprimento, 78 metros de largura de convés de voo, 41 metros de largura na água e 76 metros de altura. A força para os quatro eixos vem de dois reatores nucleares Bechtel A1B, capazes de levar o navio a 56 km/h para um alcance virtualmente ilimitado.

A expectativa para esses porta-aviões é começar suas vidas úteis voando aeronaves atualmente consideradas modernas na US Navy, como o E-2D Hawkeye e o Super Hornet. Porém, o foco estará na operação futura de modelos como o F-35C Lightning II, drones como MQ-25 Stingray e o futuro caça multifuncional F/A-XX.
O segundo da classe, o CVN-79 USS John F. Kennedy, já está em testes de mar e deve ser entregue no próximo ano. Já estão em construção o terceiro, CVN-80 Enterprise; e o quarto, CVN-81 Doris Miller. Ambos têm entregas previstas para a próxima década. O CVN-82 William J. Clinton e o CVN-83 George W. Bush estão em fase de aprovação.
O Pentágono tem acelerado o processo de desenvolvimento de porta-aviões. O plano é manter pelo menos onze unidades ativas, o que possivelmente não ocorrerá nos próximos anos, pelo fato de o CVN-79 John F. Kennedy ainda estará em testes quando ocorrer a desativação do CVN-68 Nimitz, em serviço desde 1975 e com desativação programada para este ano.

Atualmente estão em serviço os porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower, USS Carl Vinson, Theodore Roosevelt, Abraham Lincoln, George Washington, John C. Stennis, Harry S. Truman, Ronald Reagan e George H. W. Bush. Todos têm capacidade para operar mais de 80 aeronaves, incluindo os F-35 e F-18 Super Hornet.
Além disso, estão em serviço sete navios da classe Wap, oficialmente, navios de desembarque anfíbio, porém com convoo adequado para operações com caças F-35 Lightning II. A mesma capacidade é vista nos dois novos navios aeródromos da classe USS América, estando outros três em construção. Todos estes navios podem operar no conceito antes chamado de “Harrier Carrier”, quando eram totalmente dedicados à operação de aviões AV-8B Harrier.
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