Localizada a cerca de 1.400 km da Europa e 2.200 km da América do Norte, no arquipélago dos Açores, a Base Aérea das Lajes, da Força Aérea Portuguesa, tem papel estratégico nos ataques da US Air Force ao território iraniano. É de lá que partem os aviões de reabastecimento aéreo capazes de apoiar ataques de bombardeiros B-1B Lancer e B-2 Spirit lançados diretamente do território continental dos EUA.
Logo no primeiro dia do conflito, cinco KC-46 Pegasus decolaram em menos de três minutos das Lajes. Cada um pode levar até 96,2 toneladas de combustível. O objetivo foi, possivelmente, apoiar quatro bombardeiros B-2 Spirit que fizeram os primeiros ataques ao Irã.
Com capacidade stealth, isto é, de penetrar em áreas hostis sem ser detectado por radares, cada B-2 pode levar desde um par de bombas GBU-57 Massive Ordnance Penetrator, de 14 toneladas, criadas para destruir fortificações, até 80 bombas Mk-82, de 230 kg, com guiagem laser. Mísseis do tipo standoff e bombas de outros tamanhos também podem ser empregadas.
Com o apoio dos KC-46 baseados nas Lajes, os B-2 podem atuar no conflito a partir de sua própria base, no Missouri, região central dos Estados Unidos. Apesar de bases localizadas no Reino Unido, Guam (Pacífico) e Diego Garcia (Índico) poderem receber os B-2, o ataque com alcance global é uma estratégia de dissuasão dos Estados Unidos.

B-1 Lancer
A partir do segundo dia da ofensiva atual contra o Irã, as aeronaves norte-americanas sediadas na Base Aérea das Lajes também passaram a apoiar missões dos bombardeiros B-1B Lancer, baseados na Dakota do Sul. Neste caso, a principal vantagem é a disponibilidade: há 19 B-2 e 45 B-1B em serviço.
Além disso, o B-1B pode voar a velocidades supersônicas, facilitando tanto a incursão quanto a saída de áreas hostis. A capacidade bélica máxima fica em 34 toneladas, podendo incluir grande variedade de bombas e mísseis como o AGM-158, AGM-154 e AGM-183.

Lajes
Apesar da neutralidade portuguesa na Segunda Guerra Mundial, a ditadura de Salazar deu autorização para aeronaves britânicas e norte-americanas operarem ali a partir de 1943. Na Guerra Fria, o local continuou a ser estratégico para a presença militar no Atlântico Norte, sendo primordial para Portugal estar no grupo inicial de membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 1949.
Além das operações de aeronaves de reabastecimento, a Base Aérea das Lajes serve como campo de pouso de escala para travessias pelo Atlântico Norte. Em geral, o local recebe como presença militar constante um contingente de aviões Airbus 295 de patrulha marítima e helicópteros EH101 Merlin da Força Aérea Portuguesa. Também está sediado o 65th Air Base Group, da United States Air Force, sem uma frota definida, mas com a missão de apoiar desdobramentos.











Comentar