AVIAÇÃO COMERCIAL & PRIVADA DOS ARQUIVOS DE ASAS

Aeroporto de Congonhas completa 90 anos com projetos de expansão

Coleção Werner Haberkorn, do acervo do Museu Paulista da USP.

Há 90 anos, em 12 de abril 1936, o primeiro avião decolava do então “Campo da Vasp”. O destino era o Rio de Janeiro, e ali começava a história do Aeroporto de Congonhas, um símbolo da capital paulista e um dos principais do Brasil. O nome “Congonhas” vem do local: o aeroporto está onde ficava a Vila Congonhas, um distrito de Campo Belo. É uma homenagem ao Visconde de Congonhas do Campo, Lucas Antônio Monteiro de Barros, primeiro governante da Província de São Paulo após a Independência do Brasil.

A instalação do aeroporto era estudada desde 1935, quando foi realizado pelo Governo do Estado de São Paulo um estudo técnico para escolher a melhor localização. As condições naturais de visibilidade e de drenagem, longe das áreas de enchentes dos rios, foram decisivas na seleção. O curioso é que na época a decisão foi muito criticada porque o aeroporto ficaria em uma região muito distante da cidade.

Foto: Infraero

Nos anos 40, o governo desapropriou áreas e construiu a primeira pista de pouso. Ainda em 1945, o aeroporto paulista recebeu a primeira torre de controle do País, tornando-se um marco na organização da aviação comercial brasileira.

Em 1954, foi inaugurado o Pavilhão de Autoridades, onde até hoje há obras de artistas como Di Cavalcanti e Jacques Monet. O terminal de passageiros, de fato, é uma obra arquitetônica de Ernani do Val Penteado e Raymond A. Jehlen e foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo. Dezenas de elementos internos também são tombados, como mobiliários e elementos arquitetônicos como revestimentos, portas, forros, obras artísticas e até um hangar.

C-91 Avro da FAB em Congonhas
Foto: Infraero

Em 1951, Congonhas teve um movimento de mais de 1 milhão de passageiros, quase a metade da população da cidade de São Paulo naquela época. Já em 1957, já era o terceiro aeroporto do mundo em volume de carga aérea, atrás apenas de Londres e Paris. Isso levou a ampliação da Ala Norte do aeroporto, concluída em 1959, e, posteriormente, à construção do Aeroporto de Viracopos, em Campinas. Em 1959 também foi inaugurada a ponte aérea Rio-São Paulo, inicialmente com os Convair 340. Depois viria a era dos Electras, antes dos atuais jatos Airbus e Boeing.

Foto: Infraero

O aeroporto também recebeu o primeiro radar para uso da aviação civil na América Latina, em 1962. Já em 1947 funcionava ali o Serviço de Rotas da 4º Zona Aérea, transformado em 1976 em Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo e neste mês no Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste (CRCEA-SE).

Nos anos 70, o Aeroporto de Congonhas passou a ser palco de vários eventos da sociedade paulistana, com seu salão com vista para a pista recebendo festas de formatura, casamento e bodas. Também houve ampliações da ala internacional a a construção do edifício de desembarque de bagagens da ala nacional, como complemento do prédio da ponte aérea.

Foto: Infraero

Em 1982, foi iniciada a administração pela Infraero. Logo em seguida, boa parte dos voos seria transferida para o novo Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Isso não impediu que Congonhas, localizado na região mais central da cidade, passasse a receber um fluxo cada vez maior de passageiros, o que demandou ainda mais reformas. Nos anos 2000 vieram o edifício-garagem e um conector acoplado ao terminal com 12 pontes para atender às novas áreas de embarque e desembarque. Houve uma efetiva modernização dos espaços às necessidades do novo século.

Gigante da aviação

Atualmente, o Aeroporto de Congonhas tem uma área total de 1.647.940,57m², sendo 77.321 m² de pátio de estacionamento para aeronaves e 64.579 m² do Terminal de Passageiros. Há 12 pontes de embarque e desembarque e 17 posições remotas, além de espaço para estacionar 24 aeronaves da aviação geral, e duas para aeronaves de autoridades. São duas pistas. A principal, 17R/35L, tem 1.940 metros de comprimento por 45 de largura. A secundária, 17L/35R, tem 1.445m por 45m.

Foto: DECEA

Segundo dados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), Congonhas recebe, em média, 70 mil passageiros por dia, distribuídos em cerca de 589 voos. Ao longo de 2025, registrou 214.916 movimentos, ocupando a segunda colocação no ranking nacional, atrás apenas de Guarulhos, com 306.225 operações.

A antiga torre de controle há muito entrou para a história. Hoje, há uma torre de 44 metros de altura e cabine de 126,6m². O local oferece visão de 360 graus da área operacional e dispõe de oito posições de trabalho, incluindo uma dedicada ao controle de helicópteros. A estrutura também abriga a Central de Informações Aeronáuticas de São Paulo.

A área controlada é delimitada por importantes vias da capital paulista e concentra também um intenso tráfego de helicópteros. Para lidar com esse volume, o DECEA desenvolveu o HELICONTROL, sistema único no mundo voltado ao gerenciamento do tráfego de helicópteros na cidade de São Paulo. Criado em 2004, o sistema opera a partir da torre de Congonhas e organiza milhares de voos diariamente sobre o ambiente urbano. Somente em 2025, o HELICONTROL atendeu 39.581 helicópteros, apresentando crescimento de cerca de 31% em relação ao ano anterior, o que evidencia a intensidade desse tipo de operação na região.

Foto: Decea

Congonhas é também um vetor econômico: cerca de 10% do PIB nacional é gerado em um raio de 15 km do aeroporto. O terminal movimenta mais de 24,5 milhões de passageiros por ano, mais de 65 mil por dia, opera aproximadamente 540 voos diários para 45 destinos e emprega mais de 8 mil pessoas, direta e indiretamente, além de abrigar atualmente cerca de 100 operações comerciais.

Investimentos para o futuro

Desde 2023, o aeroporto é administrado pela Aena, maior operadora aeroportuária do Brasil e do mundo. A empresa está investindo mais de R$ 2 bilhões na modernização de Congonhas, com a construção de um novo terminal de passageiros até 2028, mais que dobrando a área atual, de 45 mil m² para 105 mil m². As melhorias já em andamento incluem ampliação da área de inspeção de segurança, modernização de banheiros, novas salas VIP, melhorias no sistema viário e intervenções para aumentar a fluidez e o conforto dos passageiros.

Os passageiros contarão com espaços ampliados, conforto e novas ofertas comerciais, em mais de 20 mil m² destinados a lojas e restaurantes. Além disso, haverá 19 novas pontes de embarque e aumento de 30 para 37 posições de estacionamento, 19 nas pontes e 18 remotas, com 215 mil m² de pátio de manobra para as aeronaves. Há previsão para receber o Airbus A321neo e o Boeing 737 Max 10 em todas as posições. Além disso, pistas e pátios receberão reforço estrutural, a construção de novas pistas de rolagem, nova via de serviço para a aviação geral e uma saída rápida quando operando pela cabeceira 35L. 

Além do Aeroporto de Congonhas, a Aena realiza obras de ampliação e modernização em outros 10 aeroportos nos Estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pará. O BNDES aprovou, em dezembro de 2025, apoio no valor total de R$ 4,64 bilhões para a Aena realizar as obras nos 11 aeroportos. O apoio do BNDES incluiu R$ 4,24 bilhões com a subscrição de debêntures e financiamento via linha Finem de R$ 400 milhões. Do valor total, R$ 2 bilhões foram destinados ao Aeroporto de Congonhas.

Nova fase comercial

Com a expansão do terminal, Congonhas também passará por uma profunda transformação em sua estratégia comercial. A área bruta locável (ABL) será ampliada de cerca de 10 mil m² para mais de 20 mil m², com lojas maiores e um novo conceito de curadoria de negócios. Nas próximas semanas, a Aena abrirá a concorrência para ocupação dos espaços comerciais do futuro terminal.

Sobre o autor

Humberto Leite

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