Snowbirds fica sem jatos e interrompe apresentações

A tradicional equipe de demonstração aérea da Força Aérea Real Canadense (RCAF), os Snowbirds, iniciou a fase final de operação com o jatos de treinamento CT-114 Tutor. O encerramento das operações com o modelo marca o fim de uma era para uma das poucas frotas de demonstração acrobática militar do mundo que ainda operam uma aeronave clássica a jato desenvolvida na década de 1960.

O CT-114 Tutor é um jato monomotor de dois lugares, com assentos dispostos lado a lado, projetado e construído no Canadá pela Canadair. A configuração de assentos paralelos, incomum em jatos acrobáticos modernos, que preferem o arranjo em tandem (um atrás do outro) proporciona uma excelente comunicação visual entre o piloto e o copiloto, tornando a instrução e a manutenção de formações extremamente alinhadas muito mais precisas.

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Do ponto de vista da física de voo, o Tutor é famoso por seus comandos puramente mecânicos acionados por cabos e hastes, sem o auxílio de sistemas fly-by-wire ou atuadores hidráulicos complexos nas superfícies de controle. Isso proporciona ao piloto uma sensação tátil direta da pressão aerodinâmica nas asas e no leme, permitindo manobras acrobáticas fluidas, como formações com nove aviões mantendo distâncias de menos de 1,8 metro entre as pontas das asas.

Propulsionado por um turbojato General Electric J85-CAN-40 (produzido sob licença pela Orenda), o CT-114 desenvolve cerca de 2.650 libras de empuxo. Embora não seja um avião supersônico, com velocidade máxima de 795 km/h, a aeronave possui um envelope de manobra extremamente dócil e resistente a estóis indesejados.

A aposentadoria do modelo exigirá da RCAF a escolha de uma plataforma moderna equipada com sistemas digitais para manter viva a tradição dos Snowbirds.

Foto operacional

Em 2024, o Canadá anunciou a suspensão das atividades do “CF-18 Demonstration Team”, composto tradicionalmente por um jato e quatro pilotos, sendo um deles titular. Shows aéreos passaram a ter apenas sobrevoos de caças F-18 com a pintura tradicional cinza, sem haver uma dedicação exclusiva de militares a esse tipo de missão.

O Canadá enfrenta a falta de caças modernos para cumprir seus compromissos de defesa aérea. O país compartilha com os Estados Unidos a proteção da soberania da América Anglo-Saxônica, além de ter compromissos no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), como o envio de esquadrilhas para o leste europeu, por exemplo.

Por enquanto, está certo que o Canadá terá pelo menos 16 F-35A, designados localmente como CF-35. Todas essas aeronaves estão em fases distintas de construção. Após testes e treinamentos iniciais nos EUA, a expectativa é de entregas a partir de 2028 e início das atividades operacionais já em 2029. A Royal Canadian Air Force planeja atingir a capacidade operacional plena entre 2032 e 2034, de forma a iniciar a substituição dos jatos CF-18, designação local dos F-18A/B operados desde os anos 80. A compra de mais caças CF-35 ainda depende de decisão política.

Primeiro CF-35A Lightning II. Foto: Lockheed Martin

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Humberto Leite

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