Argentina aposenta A-4 e acelera treinamentos no F-16

A Fuerza Aérea Argentina aposentou sua frota de caças A-4AR Fightinghawk. Em comunicado de imprensa divulgado hoje, foi informada a “desprogramação imediata” do sistema de armas. A justificativa apresentada deixa evidente a necessidade de priorizar recursos para a operação dos caças F-16AM/BM Fighting Falcon, em fase de recebimento e ainda sem a chamada Initial Operational Capability (IOC), planejada para ser alcançada no fim de 2026.

O breve comunicado justifica que a decisão ocorreu após uma “análise exaustiva de planejamento estratégico institucional que prioriza eficiência operacional e sustentabilidade econômica”. Foi citado “os custos atuais de manutenção e sustentação da cadeia logística do Sistema A‑4AR obrigam a optar por uma alocação estratégica de recursos em projetos de longo prazo que garantam níveis de operacionalidade para cumprir a missão”.

Não foi informado se haverá uma cerimônia de despedida do A-4 ou o destino das células ainda em uso.

Operador histórico

A Argentina foi um dos principais usuários do A-4 Skyhawk no mundo. A partir de 1965, a Fuerza Aérea Argentina começou a receber 50 A-4P (aeronaves A-4B retiradas diretamente dos estoques da US Navy) e 24 A-4C. Já a aviação naval teve 16 A-4Q (também aeronaves A-4B ex-US Navy). Essa frota teve papel preponderante na Guerra das Malvinas, com ataques a alvos em solo e sendo responsáveis pelo afundamento dos navios HMS Ardent, HMS Coventry e HMS Antelope, além de dados em outras embarcações. Porém, das 48 aeronaves empregadas, 22 foram perdidas, sendo oito caças Sea Harrier e as demais por armamento antiaéreo, incluindo casos de “fogo amigo”.

A-4AR Argentina com KC-130 do Peru. Foto: Fuerza Aérea Argentina

Todas as aeronaves remanescentes foram aposentadas em 1999, mas desde o ano anterior já começavam a entrar em serviço os 36 A-4 Fightinghawk. Tratou-se de um programa de modernização de 32 A-4M e 4 TA-4F, todos comprados de segunda mão dos Estados Unidos, incluindo a instalação de uma série de equipamentos atualizados, como RWR, sistemas de guerra eletrônica, sistemas de autodefesa, novos aviônicos e o radar AN/APG-66, semelhante ao dos caças F-16A/B. Com o recebimento dessas aeronaves, além de células usadas como fonte de peças, a Argentina superou o total de 130 jatos A-4 recebidos.

Marinha do Brasil

Com o anúncio do fim das operações do A-4 Skyhawk com a Fuerza Aérea Argentina, a Marinha do Brasil será a última força armada do mundo a contar com caças A-4 Skyhawk em unidade operacional. 

Humberto Leite

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