Caças F‑16 se tornam pivô de crise política no Peru e aquisição fica em xeque

O anúncio de que o Peru teria comprado caças F‑16 Fighting Falcon é mais um capítulo de uma crise política que se arrasta no país vizinho. Em linhas gerais, apesar de o pagamento inicial ter sido confirmado pelo Ministério da Economia e Finanças (MEF), o presidente interino José María Balcázar insiste publicamente que a compra não está concluída e que a decisão final caberia ao próximo governo. A contradição entre as autoridades desencadeou uma turbulência institucional que se soma ao ambiente eleitoral já tenso, deixando dúvidas sobre a própria compra dos F-16.

Segundo o jornal La República, o MEF confirmou o desembolso de US$ 462 milhões, correspondente ao primeiro pagamento do contrato firmado com a Lockheed Martin, alegando que o não cumprimento do acordo poderia gerar penalidades e afetar a credibilidade internacional do Peru. O mesmo jornal relata que o presidente Balcázar nega ter autorizado a compra, enquanto ministros afirmam que ele tinha pleno conhecimento do processo.

O El Comercio destaca que a crise provocou a renúncia do ministro da Defesa, Carlos Díaz, e do chanceler Hugo de Zela, além de abrir caminho para uma possível moção de censura contra o presidente no Congresso. O jornal também informa que o premiê Luis Arroyo confirmou que o contrato já estava assinado e que os pagamentos foram feitos para evitar multas internacionais.

A situação se agravou quando o embaixador dos Estados Unidos, Bernie Navarro, declarou que o contrato estava firmado e que os primeiros F‑16 chegariam ao Peru entre 2029 e 2030, reforçando a versão de que o processo já estava em andamento. O Peru21 também noticiou que o novo ministro da Defesa nomeado por Balcázar tem histórico político ligado ao partido Fuerza Popular, o que adicionou mais combustível ao debate sobre a condução da compra.

Crise política e eleições

Vale lembrar que a compra de aeronaves de combate é uma decisão técnica, financeira e política, com implicações evidentes, por exemplo, nas relações internacionais. E o contexto atual peruano é complexo: desde 28 de julho de 2016, quando Pedro Pablo Kuczynski assumiu a presidência, já são nove pessoas indicadas para a tarefa (uma sequer tomou posse). Com a iminente eleição de mais um ocupante para a Casa de Pizarro, nome do palácio presidencial em Lima, serão dez presidentes em dez anos, representando cinco partidos diferentes, além de dois políticos classificados como “independentes”.

Em julho do ano passado, a então presidente Dina Boluarte, que ficou mais de 2 anos no cargo e iniciou o programa de seleção, anunciou o Gripen como o novo caça. Afastada em 10 de outubro de 2025, foi substituída por José Jerí, que declarou apoio à compra de caças F-16 e cuja gestão buscou alinhamento com os Estados Unidos. Mas não houve assinatura antes de Jerí ser afastado do cargo, passado a José María Balcázar, que assumiu em 18 de fevereiro prometendo clima tranquilo para governar o país até a transição para quem vencer o pleito de 12 de abril.

Mas a chegada das eleições não representou tranquilidade. A contagem de votos está lenta e até agora não se sabe que irá disputar o segundo turno, em 7 de maio, e o chefe do órgão responsável pela apuração renunciou. O mais provável é que Keiko Fujimori enfrente o Roberto Sánchez ou Rafael Aliaga. É neste clima de dúvidas sobre quem vai administrar o país que houve o anúncio da compra, mesmo contra orientação do presidente.

A instabilidade gerada pela disputa interna no Executivo e pelas renúncias ministeriais aumenta a pressão sobre o governo interino, que já enfrenta questionamentos sobre legitimidade e transparência. De fato, há um “teste de credibilidade” para o Peru, dada a complexidade técnica e financeira do programa e a necessidade de estabilidade institucional para conduzir um projeto dessa magnitude.

Concorrência

O F-16 não é a única opção para o Peru. O Rafale, o Gripen E e o Eurofighter Typhoon também foram avaliados. O país conta hoje com cerca de 10 Mirage 2000, adquiridos nos anos 80, ainda em serviço. A frota de oito MiG-29SMP Fulcrum está parada e as condições operacionais dos oito Su-25 Frogfoot e vinte Cessna A-37B Dragonfly são pouco publicizadas.

Humberto Leite

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