AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Cresce pressão para Peru trocar Gripen por F-16V

F-16V de Taiwan. Foto: Wang Yu Ching

Crescem as chances de uma ‘virada de mesa’ na seleção de novos caças para a Fuerza Aérea del Perú (FAP). Em julho, a gestão da presidente Dina Boluarte se aproximou da assinatura do contrato para a compra de 24 caças Gripen E/F, semelhantes aos encomendados pelo Brasil. Porém, agora, há rumores de que novos governantes do país podem optar pelo F-16V.

Dina Boluarte fez um mandato marcado por protestos, repressão e uma desaprovação que chegou a passar dos 90%. Ela mesma havia assumido em 2022, após o afastamento de Pedro Castillo, ocorrido depois de uma tentativa frustrada de dissolver o Congresso. Acusada de corrupção, Boluarte sofreu impeachment em 10 de outubro. A partir daí, diversos negócios firmados na sua gestão foram descontinuados. 

F-16V. Foto: Lockheed Martin

O atual presidente, José Jerí, que era o presidente do Congresso, estaria negociando com a norte-americana Lockheed Martin a compra de 24 caças F-16V. A proposta teria superado tanto os argumentos da Saab, fabricante dos caças Gripen, quanto da Dassault, que oferece o Rafale F4. 

As notícias veiculados sobre o F-16, porém, também não podem ser tratadas como confirmação. Isso porque os jornais locais citam apenas fontes não identificadas dentro do Ministério da Defesa, o que pode significar apenas lobby. Além disso, a assinatura ocorreria depois das próximas eleições, marcadas por indecisão. Vale ressaltar que o Peru já teve oito presidentes nos últimos 10 anos, sendo que dois foram eleitos por voto e seis assumiram após afastamento dos seus antecessores.

A proposta os Estados Unidos, com preço definido em US$ 3,4 bilhões, envolve dez caças F-16C Block 70, dois caças F-16D Block 70, pods designadores  AN/AAQ-28 Litening, capacetes JHMCS II, mísseis AiM-9X e AiM-120C-8 AMRAAM, sistemas de guerra eletrônica ALQ-254 Viper Shield e, destacam-se, os radares AN/APG-83 SABR, que contam com tecnologias desenvolvidas originalmente para o APG-81, dos F-35 Lightning II. Vale ressaltar que a imprensa peruana falou em 24 F-16 enquanto a proposta oficial é de 12 aeronaves.

O F-16V é a mais nova versão oferecida pela Lockheed Martin, com destaque para radar AESA e novos sistemas embarcados
Foto: Lockheed Martin

A designação F-16V é uma marca de marketing da Lockheed Martin. A aeronave é apontada como uma opção mais acessível que o F-35 Lightning II, mas figura nos planos de aquisição, por exemplo, de países-membros da OTAN e de áreas de tensão geopolítica. Até o momento, o F-16V foi vendido para Bahrain, Bulgária, Eslováquia, Grécia, Jordânia, Marrocos, Polônia, Taiwan e Turquia.

Na prática, os Estados Unidos liberaram para o Peru uma versão do F-16 bem mais avançada que os F-16C/D Block 50 do Chile, F-16MLU da Argentina e F-16A/B Venezuelanos. É questionável, porém, se a aeronave pode ser descrita como mais avançada que os Saab Gripen E, que também estão em fase de negociações avançadas com a Colômbia.

O país conta hoje com cerca de 10 Mirage 2000, adquiridos nos anos 80, ainda em serviço. A frota de oito MiG-29SMP Fulcrum está parada e as condições operacionais dos oito Su-25 Frogfoot e vinte Cessna A-37B Dragonfly são pouco publicizadas.

Caças Mirage 2000 do Peru durante o exercício Cruzex de 2018
Foto: Johnson Barros / Força Aérea Brasileira

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Humberto Leite

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