AVIAÇÃO COMERCIAL & PRIVADA

Ex-piloto de testes da Boeing é processado por acidentes com o 737 Max

737 Max durante demonstração em 2018 Foto: Steve Lynes

Ex-piloto de testes da Boeing, o norte-americano Mark Forkner se tornou o primeiro indiciado pela justiça norte-americana por conta dos acidentes envolvendo o 737 Max. A acusação é de fraude.

De acordo com a justiça norte-americana, o ex-piloto de testes deixou de repassar para as autoridades do país informações consideradas críticas. Isso teria levado a Federal Aviation Administration (FAA) a emitir autorização para voo do modelo sem conhecer as falhas do projeto.

“O Departamento de Justiça não irá tolerar fraude – especialmente em setores com alto risco”, afirmou em release para a imprensa o procurador Chad E. Meacham. O processo deve correr na justiça federal no Texas.

A base da acusação é a existência de mensagens entre Mark Forkner e outros funcionários que já citavam problemas no sistema Maneuvering Characteristics Augmentation System (MCAS) em outubro de 2019. Falhas no MCAS causaram a morte de 364 pessoas em dois acidentes com os 737 Max.

De acordo com o House Transportation and Infrastructure Committee, o ex-piloto de testes da Boeing disse a representantes da FAA que o MCAS era seguro, enquanto privadamente afirmava o contrário. “Eu basicamente menti (sem saber)”, teria escrito em uma das mensagens.

A conduta de Mark Forkner pode ter levado ao fato de o manual de instruções do Boeing 737 Max não conter, à época, informações necessárias para compreender completamente o funcionamento do sistema MCAS. Em ambos os acidentes, os tripulantes não conseguiram compreender as indicações das aeronaves envolvidas.

Em 2019, a Boeing afirmou oficialmente que os comentários do ex-piloto de testes se baseavam em um programa de simulação que ainda não funcionava corretamente. No ano seguinte, porém, a própria companhia lançou um documento interno com mais de 100 páginas classificando como “completamente inaceitáveis” determinadas comunicações internas entre funcionários.

Em 2018, um funcionário anônimo da companhia havia dito que o 737 Max era “criado por palhações supervisionados por macacos”. No mesmo ano, antes dos acidentes fatais, outro empregado se questionava quem deixaria sua família voar em um 737 Max.

As tragédias levaram à interrupção dos voos com o 737 Max em março de 2019. Só em novembro de 2020 as operações voltaram à normalidade, após o MCAS ser completamente recriado e o modelo passar por uma nova campanha de certificação. A Boeing também concordou em pagar mais de 2,5 bilhões de dólares em um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA.