O conglomerado europeu MBDA vai investir mais de 5 bilhões de Euros até 2030. A informação foi divulgada durante visita do CEO do grupo, Eric Béranger, a autoridades brasileiras. O executivo esteve, entre 1º e 2 de junho, com Comandante da Marinha do Brasil, Almirante Marcos Sampaio Olsen; o Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), Tenente-Brigadeiro do Ar Walcyr Josué de Castilho Araújo; e o Subchefe do Estado-Maior do Exército (EME), General Eduardo Tavares Martins.
A MBDA segue em forte expansão. Em 2025, a empresa registrou receita de € 5,8 bilhões, recebeu € 13,2 bilhões em novos pedidos e alcançou uma carteira de encomendas de € 44,4 bilhões. Entre 2023 e o final de 2025, a produção de mísseis dobrou, e a expectativa é de um aumento adicional de 40% neste ano. A visita ao Brasil reforçou o compromisso da MBDA não apenas com o fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira, mas também com o desenvolvimento de cooperação industrial e tecnológica de longo prazo no país e em toda a América Latina.

Leia a entrevista com o CEO da MBDA, Eric Béranger:
Como a empresa avalia o potencial estratégico do Brasil e da América Latina?
Há décadas o Brasil é um parceiro estratégico da MBDA e hoje ocupa um papel central em nossa visão para a América Latina. Já estamos firmemente inseridos em programas relevantes das Forças Armadas brasileiras, como os caças Gripen (míssil METEOR), as fragatas Classe Tamandaré (Sistema Sea Ceptor com o míssil CAMM e sistema EXOCET), os submarinos Scorpène (míssil EXOCET SM39) e os helicópteros H225M (míssil EXOCET AM39).
Não há dúvida de que essa parceria está em constante crescimento. Um exemplo é a seleção, pelo Exército Brasileiro, do sistema EMADS, solução de Defesa Antiaérea de Média Distância da MBDA, uma tecnologia de ponta já adotada por outros clientes internacionais, como Itália, Reino Unido e Polônia.
Apoiar as três Forças Armadas demonstra que a MBDA está em uma trajetória sólida de consolidação e crescimento no Brasil.
Em 2025, um dos marcos da Defesa brasileira foi o lançamento bem-sucedido do míssil METEOR pela Força Aérea Brasileira. Como a MBDA avalia essa demonstração?
A participação da MBDA na Operação BVR-X representou um avanço extremamente significativo para a Força Aérea Brasileira e reforçou as capacidades tecnológicas da empresa no desenvolvimento de sistemas de defesa de nova geração.
A integração do METEOR ao caça F-39E Gripen e os dois lançamentos realizados demonstraram não apenas o excelente desempenho do míssil, mas também a eficiência da cooperação entre as equipes da MBDA e todos os profissionais envolvidos. Ver o Gripen brasileiro operando com uma das mais avançadas capacidades ar-ar do mundo foi motivo de grande satisfação.
O METEOR está em processo de integração às aeronaves KF-21 e F-35 e já equipa algumas das principais plataformas de combate da atualidade, incluindo Gripen, Rafale e Eurofighter, refletindo a confiança internacional na tecnologia desenvolvida pela MBDA.
Essa experiência também evidenciou o elevado padrão técnico e o profissionalismo das equipes brasileiras, consolidando uma parceria baseada em transferência de conhecimento, interoperabilidade e excelência operacional.
Desde 2024, a MBDA possui uma subsidiária no Brasil, sediada no Rio de Janeiro. Quais são os planos de expansão do grupo?
A MBDA está sempre aberta a expandir suas atividades e identificamos um forte potencial de crescimento na região, especialmente em cooperação industrial, transferência de tecnologia e fortalecimento das capacidades locais de defesa.
Além da meta de ampliar as vendas no Brasil e na América Latina, um dos principais objetivos da criação da subsidiária brasileira é aprofundar a cooperação industrial, um dos pilares fundamentais do nosso DNA.
Demos um passo importante ao realizar o primeiro Supplier’s Day da MBDA no Brasil, reunindo 16 empresas brasileiras e equipes globais de compras do grupo. O evento, realizado no mês passado no Rio de Janeiro, demonstrou a importância de promover programas de transferência de tecnologia capazes de fortalecer a Base Industrial de Defesa do Brasil.











