França e Finlândia ampliam tensão nuclear na Europa

Os presidentes da França, Emmanuel Macron, e da Finlândia, Alexander Stubb, ampliaram as tensões nucleares na Europa com um anúncio realizado em 14 de setembro. Ficou acertado que caças franceses Rafale poderão operar a partir de bases finlandesas com armamento nuclear.

A medida é uma provocação à Rússia: a Finlândia tem mais de 1.300 quilômetros de fronteira com a Rússia e, até 2023, não era sequer parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Agora, além de fazer parte da aliança militar, também se tornou o décimo país da Europa a aderir à iniciativa francesa, única nação da União Europeia a dispor de armamentos nucleares.

Para a Rússia, a ameaça é clara: os caças franceses armados com mísseis ASMP-A, com alcance estimado em até 600 km e velocidade de Mach 3, poderiam levar as ogivas nucleares de 300 quilotons com um tempo reduzido para qualquer reação. A situação fica ainda mais ameaçadora por conta do desenvolvimento do míssil ASN4G, previsto para ter alcance superior a 1.000 km e velocidade máxima hipersônica, entre Mach 6 e 7.

Com o quarto maior arsenal nuclear do mundo, atrás de Rússia, Estados e China, a França anunciou em 2026 sua nova estratégia de levar para todo o continente europeu a sua dissuasão nuclear, o que também incluirá a construção de mais ogivas, em paralelo aos acordos via OTAN ou diretamente com os Estados Unidos. Além da Finlândia, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Grécia, Noruega, Países Baixos, Polônia, Reino Unido e Suécia já firmaram parceria.

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Humberto Leite

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