AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Gripen realiza lançamento do mais avançado míssil ar-ar do mundo

Disparo de míssil Meteor por caça Gripen E Foto: Saab

Em fase inicial de operação no Brasil, a versão E do caça Gripen poderá operar o míssil Meteor. A Saab, fabricante do caça, informou hoje ter tido sucesso no teste de lançamento real da arma.

O míssil Meteor foi lançado do Gripen E a uma altitude de aproximadamente 16.500 pés acima da faixa de teste de Vidsel, no norte da Suécia. “É muito bom concluirmos agora o primeiro teste de disparo com o Meteor do Gripen E. É um marco muito importante tanto para o programa quanto para a Saab. Isso mostra que a capacidade de armamento do Gripen está na vanguarda absoluta”, diz Mikael Olsson, head de Teste e Verificação de Voo da Saab.

Foto: Saab

Desenvolvido pelo consórcio europeu MBDA, o míssil Meteor é do tipo Beyond Visual Range (BVRAAM), isto é, com alcance suficiente para ser lançado além do alcance visual do piloto. O Meteor é, por vários analistas, considerado o melhor míssil do tipo na atualidade. Seu desenvolvimento envolveu Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha e Suécia. O míssil deverá ser a principal arma ar-ar do Eurofighter, Rafale e do Gripen de última geração, substituindo os norte-americanos AIM-120 AMRAAM e os franceses MICA, ambos de geração anterior.

“Este sucesso é uma grande demonstração da parceria entre a MBDA e a Saab, que após muitos anos de cooperação ativa continua se fortalecendo. Este teste também mostra de forma excelente nossa habilidade conjunta de integrar rapidamente capacidades de armamentos no novo Gripen E”, disse Jim Price, vice-presidente da MBDA na Europa.

Míssil Meteor com caça Gripen da Força Aérea da Suécia

FAB terá o Meteor

A Força Aérea Brasileira confirmou em dezembro o recebimento de mísseis Meteor para seus caças F-39 Gripen. O anúncio significa que a aviação de caça brasileira terá a primazia da superioridade aérea na América Latina, uma vez que a arma tem capacidades superiores às presentes em modelos dos países da região – com exceção das Falklands e da Guiana Francesa, territórios sob domínio inglês e francês, respectivamente.

Em 2019, o jornal francês La Tribune anunciou que o Brasil iria adquirir 100 unidades da arma. Questionada pela Revista ASAS à época, a Força Aérea Brasileira informou que nem confirma nem nega a informação, por ser um assunto estratégico. Agora, a Força anunciou no seu site oficial o recebimento de um segundo lote do Meteor – o primeiro lote havia sido comprado para o desenvolvimento da aeronave. Ainda assim, não foi confirmada a quantidade adquirida.

Capacidades

Os detalhes específicos da arma não são revelados nem pelos operadores nem pela empresa fabricante, a MBDA, mas sabe-se que um Meteor é o míssil mais letal do mundo na atualidade. É capaz de voar a quatro vezes a velocidade do som e tem a maior “no escape zone” já alcançada por uma arma ar-ar: 60 km. Isso quer dizer que qualquer alvo a até 60 km de distância do avião lançador será destruído. Nem adianta tentar fugir ou fazer manobras. O desempenho seria três vezes maior que a “no escape zone” do AIM-120 AMRAAM.

O feito do Meteor é alcançado por meio da motorização. Os mísseis convencionais são equipados com um foguete, que os aceleram a velocidades supersônicas mas, que com o passar dos segundos, vão perdendo potência. Assim, a capacidade de o míssil alterar sua rota em busca do alvo ou de fazer manobras vai se perdendo. Já o Meteor mantém o uso do foguete no lançamento, mas conta também com um motor “scramjet”, que faz com que ele até ganhe velocidade durante o voo. O novo míssil pode, inclusive, acelerar ao chegar mais próximo do alvo, tornando qualquer tentativa de manobra da presa completamente inútil.

Meteor, o míssil mais letal do mundo na atualidade
A Alemanha em breve também irá operar mísseis Meteor nos seus caças Typhoon.

A nova motorização também proporciona maior alcance. Ainda que esse dado não tenha sido revelado em detalhes até hoje, fala-se que ele supera os 100 km de distância. Outra informação apontada por especialistas é que o Meteor tem uma manobrabilidade até seis vezes maior que a apresentada pelo AIM-120 AMRAAM norte-americano. Mísseis russos também devem ser superados. Não por acaso, a Índia já avaliou a possibilidade de integrá-los aos caças Sukhoi Su-30, enquanto os EUA avaliam uma nova versão do AMRAAM para conseguir fazer frente ao concorrente europeu.

O sistema de guiagem também traz inovações. Primeiro, o Meteor utiliza dados da aeronave lançadora. Depois, utiliza um sistema de navegação inercial para posteriormente acionar seu próprio radar ativo. Há, também, a integração com o caça via datalink: o avião pode atualizar quaisquer dados sobre o alvo e, no caso do Gripen, os dados coletados pelo radar do míssil também serão enviados para a aeronave.

Uma vantagem é que, apesar das inovações, o míssil não é grande: são 3,7 metros de comprimento e 190 kg de massa, o que o torna possível levá-lo sob as asas da maioria das aeronaves de combate atuais. Um AIM-120, por exemplo, tem 3,7 metros e 152 kg. São praticamente os mesmos números do russo R-77.

Foto: Johnson Barros / Força Aérea Brasileira

Operação no Brasil

Em 2015, foi divulgada na imprensa a compra de mísseis ar-ar de curto alcance IRIS-T e A-Darter, este último fruto de uma parceria da África do Sul com o Brasil. Aliadas ao novo radar de abertura sintética Raven, essas armas devem fornecer uma capacidade de defesa aérea do mais alto nível em todo o mundo. Os Gripen brasileiros devem receber ainda bombas inteligentes Spice, além de manterem o canhão de 27mm. A compra do IRIS-T também foi confirmada pela FAB.

Em uma missão exclusivamente de defesa aérea, um F-39E, como a aeronave é designada na FAB, poderá decolar com até sete mísseis Meteor e um par de IRIS-T, além do canhão. Dessa maneira, o jato poderá, inclusive, atingir o “supercruzeiro”, que é a capacidade de voar em velocidades supersônicas sem uso de pós-combustão, isto é, com menor consumo de combustível.

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