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Há 40 anos, piloto de F-5 fugiu para país comunista

Caça F-5F exposto em Pequim Foto: China Military Review
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Há exatos 40 anos, em 8 de agosto de 1981, um piloto de F-5 de Taiwan fugiu para viver na China comunista. Mas entre as motivações dele estava um fator bastante capitalista: Peter Z. Huang, já no posto de major, foi atraído pela recompensa em ouro para quem levasse um F-5 para a China continental.

O governo da China havia anunciado em 1978 que pagaria em ouro a recompensa para qualquer um que levasse um F-5E até lá. Um detalhe chama a atenção: os chineses prometeram pagar 2 milhões de dólares, mas o desertor recebeu “apenas” 370 mil, sem que se saiba publicamente o porquê. A prática de recompensar desertores também partia dos capitalistas. Em 1977, um piloto chinês voou para Taiwan com seus MiG-19, e por isso recebeu 250 mil dólares, também em ouro.

Em 1981, o F-5 era o avião de caça mais avançado em uso em Taiwan, ainda que inferior a outros modelos utilizados pelos Estados Unidos e outras potências ocidentais, como os F-15 e os F-16. Porém, à época, a China também estava atrasada na tecnologia militar, e a obtenção da aeronave com tecnologia dos EUA ampliou os horizontes dos engenheiros chineses. Outro fator preocupava Pequim: os F-5E/F eram produzidos sob licença em Taiwan, com acesso ao conhecimento.

Por esse motivo, a deserção daquele dia 8 de agosto de 1981 foi comemorada pelos comunistas. O major Huang voou para o continente a bordo de um F-5F. Ele estava sozinho e, após uma decolagem para um voo rotineiro, cruzou o estreito de Taiwan a 400 pés de altura (cerca de 121 metros). O caça envolvido tinha a matrícula 5361, com número de série 77-0343, e hoje está exposto em Pequim.

Após abandonar Taiwan com seu F-5F, aos 29 anos, na vida comunista, Peter Z. Huang, além da recompensa, foi agraciado com medalhas e com um posto na força aérea do seu novo país. Em uma cerimônia transmita pela TV estatal, ele ressaltou o caráter político da deserção: “eu voltei para a minha terra natal”. Para os chineses, Taiwan não é um país, e sim uma província rebelde.

O sucesso foi tão grande que em 1983 um outro militar de Taiwan, Major Li Dawei, decidiu seguir os passos do seu ídolo, e desertou com um avião U-6A Beaver. Três anos depois, seria a vez do piloto Wang Xijue ir para a China com um Boeing 747. Já em 1989, um piloto tentou levar um F-5E, mas acabou ejetando em território chinês.

Nos anos 80, Taiwan se tornou o maior operador de F-5E/F do mundo, com 242 unidades monoplace e 66 biplaces fabricados localmente pela empresa AIDC. Só nos anos 90 o país adotaria o F-16, o Mirage 2000 e os caças nacionais F-CK-1.

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