Em meio à contagem de votos do primeiro turno da eleição presidencial, que durou cerca de um mês, e com segundo turno marcado para 7 de junho, o Congresso do Peru aprovou dois projetos de segurança e defesa que devem custar bilhões de investimento ao país em radares, aeronaves e outros equipamentos. Trata-se do Sistema de Vigilancia Amazónico y Nacional (SIVAN) e do Sistema de Protección Amazónico y Nacional (SIPAN).
As siglas são praticamente as mesmas do O SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia) e do SIPAM (Sistema de Proteção da Amazônia), implantados no Brasil a partir do fim da década de 90. O projeto resultou em uma série de investimentos na Força Aérea Brasileira, incluindo as aeronaves E-99, R-99 e A-29 Super Tucano, além da criação do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), vinculado ao Ministério da Defesa.

A proposta do Sivan/Sipan do Peru foi aprovada no Congresso do país com 84 votos favoráveis, 11 contrários e quatro abstenções. Porém, ainda será necessário um segundo turno, que dessa vez ocorrerá após o segundo turno das eleições presidenciais. Ainda assim, a aprovação por ampla margem já trouxe força política para os investimentos a serem feitos.
R-99 brasileiro já fez missão secreta no Peru
A efetividade do Sivam/Sipam brasileiro já foi atestada pelo Peru em 2003. Em junho daquele ano, um R-99 (à época designado R-99B) da Força Aérea Brasileira apoiou as forças armadas do Peru a rastrear transmissões de rádio e sinais de celulares do grupo terrorista Sendero Luminoso, que haviam sequestrado 71 funcionários da empresa argentina Technint. O apoio brasileiro foi fundamental para o fim do sequestro.

Indefinição na compra de caças
Em abril, o anúncio de que o Peru teria comprado caças F‑16 Fighting Falcon foi mais um capítulo de uma crise política que se arrasta no país vizinho. Em linhas gerais, apesar de o pagamento inicial ter sido confirmado pelo Ministério da Economia e Finanças (MEF), o presidente interino José María Balcázar insiste publicamente que a compra não está concluída e que a decisão final caberia ao próximo governo. A contradição entre as autoridades desencadeou uma turbulência institucional que se soma ao ambiente eleitoral já tenso, deixando dúvidas sobre a própria compra dos F-16.
O F-16 não é a única opção para o Peru. O Rafale, o Gripen E e o Eurofighter Typhoon também foram avaliados. O país conta hoje com cerca de 10 Mirage 2000, adquiridos nos anos 80, ainda em serviço. A frota de oito MiG-29SMP Fulcrum está parada e as condições operacionais dos oito Su-25 Frogfoot e vinte Cessna A-37B Dragonfly são pouco publicizadas.
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