AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Pilotos de caça também vão voar no KC-390

Aeronave inicia sua vida operacional na Ala 2, em Anápolis

O KC-390 não será um mero substituto do C-130 Hércules na Força Aérea Brasileira. As 28 aeronaves adquiridas deverão cumprir todas as missões atualmente realizadas pelos menos de dez C-130 atualmente em serviço, porém a tecnologia disponível no novo cargueiro fabricado pela Embraer fará a FAB ampliar o escopo de operações.

Não por acaso, os primeiros tripulantes do KC-390 não são apenas pilotos de transporte, tendo sido formado um grupo também composto por aviadores vindos de esquadrões de reconhecimento, patrulha e até da aviação de caça.

“A proposta é que possamos agregar os conhecimentos das aviações e consolidá-los à doutrina da aeronave”, explica o Major Carlos Vagner Veiga, um dos aviadores que já trabalham para receber as duas primeiras aeronaves ainda em 2019 na Ala 2, em Anápolis (GO).

A proposta da FAB foi clara: enquanto os atuais tripulantes de C-130 continuarão a desenvolver suas missões típicas por mais alguns anos, em Anápolis os tripulantes do KC-390 serão formados com uma filosofia de emprego muito mais ampla. A expectativa é de que no futuro existam militares capazes de dominar todas as possibilidades do jato fabricado pela Embraer.

Protótipo 01 do KC-390 prefixo PT-ZNF

Para citar alguns exemplos das novidades que a FAB terá com o novo avião, o KC-390 tem equipamentos típicos da aviação de caça, como a capacidade de ser reabastecido em voo, e sistemas encontrados em aeronaves das aviações de patrulha e de reconhecimento. O radar Gabbiano T20, por exemplo, possui modos Spot SAR de conhecimento mais próximo aos pilotos da aviação de busca e salvamento. Há um modo tático, inclusive, para uso ar-ar.

A modo ar-mar do radar permite rastrear mais de 200 embarcações simultaneamente, podendo ser usado para busca de embarcações inimigas mas também para combate a atividades ilegais como pesca predatória, pirataria e derramamento de óleo. São atividades típicas da aviação de patrulha, hoje equipada com aviões P-95 e P-3AM. Já os pilotos de reconhecimento devem conhecer bem o modo de mapeamento de áreas terrestres.

Embraer KC-390 junto ao Hangar do Zepelin na Base Aérea de Santa Cruz/RJ. Foto: Sgt Manfrim / Força Aérea Brasileira.

Os aviadores de transporte, que naturalmente também fazem parte do grupo de futuros operadores do KC-390, também encontram na aeronave evoluções típicas para missões como lançamento de cargas, reabastecimento em voo, lançamento de paraquedistas e transporte aerologístico.

O primeiro esquadrão a receber a aeronave será o 1° Grupo de Transporte de Tropa (1° GTT), anteriormente sediado no Rio de Janeiro, onde o 1° Grupo de Transporte (1° GT) continuará a operar aeronaves C-130 Hércules pelo menos até 2023.