Em pouco menos de cinco meses de 2026, cinco presidentes de países da América do Sul estiveram a bordo de navios da US Navy. As visitas, quatro voluntárias e uma bem longe disso, mostram que a administração de Donald Trump na Casa Branca parece cada vez mais focada em fazer valer a Doutrina Monroe, política internacional dos Estados Unidos que prevê a América como continente sob a sua influência, superando as antigas metrópoles europeias.
As quatro visitas voluntárias ocorreram no contexto da viagem do porta-aviões USS Nimitz em torno da América do Sul. A passagem de uma força-tarefa da US Navy pela região é sempre a oportunidade para diversos exercícios com forças armadas locais, incluindo a Marinha do Brasil e a Força Aérea Brasileira. Chile, Argentina, Uruguai e Guiana, porém, levaram a passagem do USS Nimitz a um outro nível diplomático, com uma assimetria digna de nota. Os presidentes José Antonio Kast (em 16 de abril), Javier Milei (30 de abril), Yamandú Orsi (2 de maio) e Mohamed Ifaan Ali (23 de maio) , respectivamente, foram a bordo do USS Nimitz transportados pelo avião cargueiro C-2 Greyhound, inclusive sentindo os efeitos do pouso com gancho de arrasto e a decolagem com catapulta.

Nestes casos, os chefes de estado acompanharam operações embarcadas, uma cena curiosa que certamente é de interesse de qualquer pessoa, mesmo quem não for um fanático de aviação. Ver caças F-18 Super Hornet serem lançados a poucos metros de si é, sem dúvidas, uma forte emoção. Os quatro presidentes, porém, não são meros cidadãos comuns: são chefes de estado de seus países, o que causou repercussões políticas e na imprensa internacional.
O principal motivo é a respeito do próprio cerimonial diplomático. É de praxe que atos oficiais tentem reunir autoridades de nível hierárquico semelhante. Chefes de Estado são, preferencialmente, recebidos por Chefes de Estado. No caso das visitas, acompanhados de seus comandantes militares e dos ministros da defesa e das relações exteriores, os presidentes Kast, Milei, Orsi e Ifaan Ali foram recepcionados pelos embaixadores locais dos Estados Unidos e, dentre os militares, o de mais alta patente foi o Rear Admiral Cassidy Norman, comandante do Carrier Strike Group. Apesar de uma história notável, com 116 missões de combate em caças F-18 Super Hornet e o comando do porta-aviões USS John C. Stennis, não está ainda sequer no mais alto posto da US Navy, sendo equivalente a um oficial-general de duas estrelas no Brasil.

É claro que podem haver exceções nesta busca por equivalência diplomática, com representações com ministros ou embaixadores, por exemplo. Porém, por outro lado, o protocolo de ir e voltar a bordo de um avião da US Navy, assim como o fato de se tratar, afinal, de um navio para projeção de poder, ampliaram discursos de oposição e a consideração de que as visitas deveriam ter ficado no nível das lideranças militares.
E o quinto presidente?
O quinto presidente da América do Sul a embarcar em navio da US Navy, em 2026, foi Nicolás Maduro, da Venezuela. Acusado de associação com o narcotráfico, ele foi levado à força ao navio anfíbio USS Iwo Jima em 3 de janeiro de 2026. Apesar de, na prática, ser ditador da Venezuela, Maduro foi levado aos Estados Unidos para julgamento por conta de acusações de que estaria envolvido com o narcotráfico.
A operação foi conduzida pelos Night Stalkers, o 160th Special Operations Aviation Regiment, tendo ainda a participação provável de 150 aeronaves e uso intensivo de guerra eletrônica, com limitado número de baixos (cerca de 50) entre venezuelanos e seguranças cubanos, além de sete norte-americanos feridos.
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