Com base de drones, Níger não quer mais militares dos EUA em seu território

Governado desde julho do ano passado por uma junta militar, após um golpe de Estado, o Níger não deseja mais ter militares dos Estados Unidos em seu território. Em 2016, o país africano havia se tornado um ponto estratégico para o Pentágono, com operações de inteligência, com destaque para voos de drones, inclusive de ataque. Agora, essa atividade será suspensa em definitivo.

A base fica localizada em Agadez e conta com cerca de 600 militares dos Estados Unidos e representou, só na construção, mais de 100 milhões de dólares de investimentos. O espaço inclui uma pista de 1.890 metros, suficiente para operação de aeronaves pesadas, como o C-17 Globemaster III. De acordo com o contrato assinado entre os países, a base pertence ao Níger, mas os estrangeiros têm exclusividade em cerca de 20% da área total e sequer é necessário informar o que é realizado ali.

Drones armados, como o MQ-9 Reaper, cumprem a partir dali missões contra alvos de grupos jihadistas como Al-Qaeda, Estado Islâmico e Boko Haram, tanto no Níger quanto em países próximos, como Nigéria, Chade, Burkina Faso e Mali. Da base no Níger é possível realizar missões em praticamente todo o norte da África, especialmente na região conhecida como Sahel.

Agora, após meses de negociações que chegaram a envolver uma paralisação temporária das atividades, a junta militar no comando do Níger classifica a presença norte-americana como ilegal e uma violação às regras constitucionais e democráticas do país. Antes do golpe de Estado, o governo eleito recebia apoio tanto dos Estados Unidos quanto da França, que já retirou seu pessoal.

Humberto Leite

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