AVIAÇÃO COMERCIAL & PRIVADA DOS ARQUIVOS DE ASAS

Aeroporto de Congonhas chega aos 85 anos

Foto: Infraero

Há 85 anos, em 12 de abril 1936, o primeiro avião decolava do então “Campo da Vasp”. O destino era o Rio de Janeiro, e ali começava a história do Aeroporto de Congonhas, um símbolo da capital paulista e um dos principais do Brasil. O nome “Congonhas” vem do local: o aeroporto está onde ficava a Vila Congonhas, um distrito de Campo Belo. É uma homenagem ao Visconde de Congonhas do Campo, Lucas Antônio Monteiro de Barros, primeiro governante da Província de São Paulo após a Independência do Brasil.

A instalação do aeroporto era estudada desde 1935, quando foi realizado pelo Governo do Estado de São Paulo um estudo técnico para escolher a melhor localização. As condições naturais de visibilidade e de drenagem, longe das áreas de enchentes dos rios, foram decisivas na seleção. O curioso é que na época a decisão foi muito criticada porque o aeroporto ficaria em uma região muito distante da cidade.

Foto: Infraero

Nos anos 40, o governo desapropriou áreas e construiu a primeira pista de pouso. Em 1954, foi inaugurado o Pavilhão de Autoridades, onde até hoje há obras de artistas como Di Cavalcanti e Jacques Monet. O terminal de passageiros, de fato, é uma obra arquitetônica de Ernani do Val Penteado e Raymond A. Jehlen e foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo. Dezenas de elementos internos também são tombados, como mobiliários e elementos arquitetônicos como revestimentos, portas, forros, obras artísticas e até um hangar.

C-91 Avro da FAB em Congonhas
Foto: Infraero

Em 1951, Congonhas teve um movimento de mais de 1 milhão de passageiros, quase a metade da população da cidade de São Paulo naquela época. Já em 1957, já era o terceiro aeroporto do mundo em volume de carga aérea, atrás apenas de Londres e Paris. Isso levou a ampliação da Ala Norte do aeroporto, concluída em 1959, e, posteriormente, à construção do Aeroporto de Viracopos, em Campinas. Em 1959 também foi inaugurada a ponte aérea Rio-São Paulo, inicialmente com os Convair 340. Depois viria a era dos Electras, antes dos atuais jatos Airbus e Boeing.

Foto: Infraero

O aeroporto também recebeu o primeiro radar para uso da aviação civil na América Latina, em 1962. Já em 1947 funcionava ali o Serviço de Rotas da 4º Zona Aérea, transformado em 1976 em Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo e neste mês no Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste (CRCEA-SE).

Nos anos 70, o Aeroporto de Congonhas passou a ser palco de vários eventos da sociedade paulistana, com seu salão com vista para a pista recebendo festas de formatura, casamento e bodas. Também houve ampliações da ala internacional a a construção do edifício de desembarque de bagagens da ala nacional, como complemento do prédio da ponte aérea.

Foto: Infraero

Em 1982, foi iniciada a administração pela Infraero. Logo em seguida, boa parte dos voos seria transferida para o novo Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Isso não impediu que Congonhas, localizado na região mais central da cidade, passasse a receber um fluxo cada vez maior de passageiros, o que demandou ainda mais reformas. Nos anos 2000 vieram o edifício-garagem e um conector acoplado ao terminal com 12 pontes para atender às novas áreas de embarque e desembarque. Houve uma efetiva modernização dos espaços às necessidades do novo século.

Atualmente, o Aeroporto de Congonhas tem uma área total de 1.647.940,57m², sendo 77.321 m² de pátio de estacionamento para aeronaves e 64.579 m² do Terminal de Passageiros. Há 12 pontes de embarque e desembarque e 17 posições remotas, além de espaço para estacionar 25 aeronaves da aviação geral. São duas pistas. A principal, 17R/35L, tem 1.940 metros de comprimento por 45 de largura. A secundária, 17L/35R, tem 1.345m por 45m.

Foto: Ariadne Barroso

Segundo dados do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), em 2019 o aeroporto teve um total de 222.784 movimentos, sendo o segundo maior do País de acordo com esse parâmetro. Foram 174.126 movimentos da aviação comercial, 49.967 da aviação geral e 1.691 da militar.

Foto: Ariadne Barroso

Hoje, a expectativa é pela concessão do aeroporto à iniciativa privada. Considerado, juntamente com o Santos Dumont, como as “joias da coroa” da Infraero, o aeroporto deverá ser leiloado no primeiro semestre de 2022.

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