AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA DOS ARQUIVOS DE ASAS

Argentina foi único país latino-americano na Guerra do Golfo

Helicóptero argentino teve pane de motor. Ninguém se feriu, mas a aeronave não foi recuperada
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Só um país da América Latina enviou forças para o Golfo Pérsico a fim de fazer valer a Resolução 678 do Conselho de Segurança da ONU: a Argentina. Em 18 de setembro de 1990, o presidente Carlos Menen definiu que o país deveria fazer parte do esforço internacional que incluiu forças de 39 países. Os resultados bélicos foram limitados, mas politicamente ajudou a Argentina a ganhar o status de país aliado da OTAN.

O anúncio do então Ministro das Relações Exteriores, Domingo Cavallo, deixava claro que o objetivo argentino não era participar das ações ofensivas. “Não vão realizar ações bélicas ofensivas, não vão assumir um papel de beligerância”, disse o representante do governo Menen. Houve desaprovação pública, mas o envio das forças foi aprovado pelo Congresso.

O chamado Operativo Alfil foi composto pelo destróier ARA Almirante Brown, pelas covertas ARA Spiro e ARA Rosales, e pelo cargueiro ARA Bahía San Blas. Os navios receberam metralhadoras laterais de 20mm, uma medida para evitar a aproximação ou o ataque de eventuais embarcações de pequeno porte, à época consideradas a maior ameaça. Os tripulantes também se preparam para eventuais ataques químicos, radiológicos e biológicos, bem como os sistemas de defesa foram preparados para eventuais ataques com mísseis AM39 Exocet, uma ameaça já bem conhecida pelos argentinos.

O contingente aéreo era formado por dois helicópteros Alouette III (matrículas 3-H-109 y 3-H-112) da Primera Escuadrilla Aeronaval de Helicópteros (EAH1), um dos quais (3-H-312) perdido após uma pane de motor. A Força Aérea Argentina também ajudou no esforço logístico para manter o grupo de militares atuando no Golfo Pérsico. Para isso, um KC-130 Hércules (matrícula TC-69) e um Boeing 707 (matrícula TC-93) foram mobilizados.

O papel dos argentinos foi ajudar a garantir o bloqueio naval e assegurar as linhas logísticas da coalizão, em especial entre Oman e o Kuwait, protegendo 29 embarcações aliadas. Os helicópteros realizaram, ao todo, 67 voos, a maioria para identificar embarcações na área. Por quatro vezes foram necessários tiros de avisos, mas sem que tenha havido feridos. Os três navios de combate realizaram mais de mil interceptações de tráfegos marítimos. A missão foi encerrada em 2 de agosto de 1991.

Helicóptero argentino no navio-hospital USNS Comfort

Durante a Guerra, os argentinos operaram ao lado de australianos, belgas, canadenses, dinamarqueses, espanhóis, franceses, italianos, noruegueses, norte-americanos e ingleses, com estes últimos havendo até treinamentos conjuntos, apesar de a Guerra das Malvinas ter ocorrido apenas nove anos antes.

A Argentina não fez parte das forças que invadiram o Iraque, porém o Exército Argentino participou de abril de 1991 até 2003 da Missão de Paz da ONU criada ali, tornando comum também os voos das aeronaves C-130 e 707 da Força Aérea Argentina.

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