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Sem cargueiros de longo alcance na FAB, Azul vai buscar vacinas na Índia

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Um avião Airbus A330neo da companhia brasileira Azul vai fazer um voo de 15 horas de duração, sem escalas, entre Recife e Mumbai, na Índia. O objetivo é trazer 15 toneladas da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Astrazeneca/Oxford. A aeronave decola às 23 horas desta quinta-feira, dia 14.

Ao todo, serão 2 milhões de doses da vacina transportados. O avião que irá realizar a operação será equipado com contêineres espessos que garantirão o controle de temperatura da carga de acordo com as recomendações do fabricante.

“No que depender da Azul, 2021 será o ano em que venceremos a pandemia. Temos orgulho em realizar esse voo inédito para a Índia que trará mais um sopro de esperança na cura para a Covid-19 e agradecemos a confiança do Governo Federal na capacidade logística da Azul Cargo”, destaca John Rodgerson, presidente da Azul, em comunicado à imprensa.

FAB não tem cargueiros de longo alcance

Atualmente a Força Aérea Brasileira não possui nenhum avião de carga com esse alcance. Há quase dois anos o Brasil não conta mais com um único Boeing 767 que havia sido alugado para realizar missões que exigiam grande capacidade de carga ou autonomia.

Hoje, as maiores aeronaves de transporte da frota são os KC-390 Millenium. Porém, são aeronaves com alcance máximo inferior a 6.000 km, o que exigira escalas no caminho. Nesta semana, por exemplo, a ida para um exercício de lançamento de paraquedistas no estado norte-americano de Louisiana exigiu escalas em Boa Vista e na República Dominicana, após o KC-390 sair de Anápolis (GO). Os jatos foram desenvolvidos pela Embraer para substituir os C-130 Hércules em missões como transporte de tropa e lançamento de carga, não para voos intercontinentais sem escalas.

O 767 alugado pela Força Aérea Brasileira deveria ter sido uma solução paliativa até que fosse encontrada uma nova aeronave para substituir os quatro Boeing 707 aposentados em 2013. Em 2013, há quase oito anos, a empresa israelense IAI venceu a concorrência então chamada de KC-X2 e iria fornecer dois aviões Boeing 767-300ER convertido para missões militares. O contrato, porém, nunca foi assinado.

767 da Força Aérea da Colômbia
Foto: John Taggart

Na América do Sul, Chile e Colômbia contam com o Boeing 767 em suas forças aéreas. Globalmente, países como Estados Unidos, Austrália, França e Reino Unido tem adotado a versão militar do KC-46 ou o A330MRTT, do mesmo porte do A330neo que irá à Índia buscar as vacinas contra a Covid-19.

Entre maio e julho, o Ministério da Infraestrutura já havia articulado a realização de 39 voos para buscar material médico comprado da China, como máscaras de proteção facial. As viagens foram realizadas por jatos 777 da companhia Latam. Em fevereiro, a repatriação de brasileiros que moravam em Wuhan, na China, ocorreu com o uso de duas aeronaves VC-2 (ERJ 190), com escalas em Fortaleza, Las Palmas (Espanha), Varsóvia (Polônia) e Urumqi (China).

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Redação

Comentário

  • Pois é. A FAB escolheu a IAI para converter de 2 a 3 B. 767-200 dentro do Projeto KC-X2, mas a nossa PRESIDENTA cancelou o negócio. Assim, desde a repatriação dos brasileiros na China estão fazendo falta!!

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