ARTE, CULTURA & LAZER

“Asas e Histórias” leva a cultura da aviação ao público da TV aberta

A cada fim de semana, qualquer brasileiro com um aparelho de TV poderá ser apresentado à cultura aeronáutica do Brasil e do exterior. É esse o objetivo do programa “Asas e Histórias”, da TV Cultura. A segunda temporada estreia neste sábado, às 10h45, com reapresentação aos domingos, às 11h.

O apresentador do programa, Claudio Lucchesi, conta na entrevista abaixo o que esperar dessa segunda temporada. A boa notícia é a duração: atendendo aos pedidos do público, o tempo foi duplicado! Ele também ressalta a importância da cultura da aviação no Brasil e a alegria de levar o tema para uma grande audiência nacional.

Confira abaixo:

1) Como escolher qual aeronave ser abordada em um programa de TV? A ideia é falar com entusiastas ou com quem pouco conhece o tema?

A ideia do programa, desde o início, foi apresentar a aviação para o grande público, por isso a TV aberta. E o melhor espaço que a gente viu é a TV Cultura, até porque a linha dela combina. Tem o mesmo DNA da Revista Asas. A ideia é realmente levar aviação para o maior número possível de pessoas, aproximar a sociedade brasileira desse tema. Nesse sentido, temos escolhido os aviões, as aeronaves, melhor dizendo, porque são aviões e helicópteros, levando em consideração a relevância daquele modelo do ponto de vista histórico ou tecnológico, muitas vezes os dois. Por exemplo, no primeiro episódio agora dessa segunda temporada, destacamos muito a importância do AMX para o desenvolvimento da indústria aeronáutica brasileira, da Embraer em particular e da Força Aérea Brasileira. Então a ideia é sempre agregar, sempre mostrar para as pessoas como essas aeronaves construíram o desenvolvimento tecnológico, como elas impactaram na história e aí chegar até na vida cotidiana de cada um.

O A-1 AMX é tema do primeiro episódio da segunda temporada de “Asas e Histórias”. Foto: Claudio Lucchesi

2) “Asas e Histórias” é veiculado na TV Cultura. Podemos afirmar que há uma “cultura aeronáutica”?

Sim, com certeza. Existe uma cultura aeronáutica. A aviação tem a sua própria cultura, que aqui no Brasil é pouco desenvolvida, né? Apesar de muitos esforços, inclusive da própria Revista Asas, uma publicação que foi criada do com o DNA cultural. Foi a única, a primeira e ainda é a única revista de aviação criada com o objetivo cultural e histórico. Em vários países existem galerias de arte especializadas em Aviation Art. Existem artistas expressivos conhecidos. Se você for para o rock…U2 é o nome de uma aeronave, não é? Os B-52, outra banda com nome de aeronave. Até o nosso Barão Vermelho! Existe a figura da Pin Up, aquelas pinturas feitas no nariz de aeronave. E, no cinema, por exemplo, tem toda uma filmografia de aviação, desde o primeiro filme que ganhou um Oscar, que chamava o Wings, até o Top Gun. Inclusive, é esse tipo de conteúdo que a gente aborda no nosso programa, no nosso canal no YouTube, o Sextou Revista Asas, que tem episódios novos toda sexta-feira.

3) Qual seu episódio favorito da primeira temporada? E agora da segunda, já pode adiantar?

O meu episódio favorito é… eu sou um viciado do meu trabalho, então o meu episódio favorito costuma ser sempre aquele em que estou trabalhando no momento, né? Mas na primeira temporada… O que que eu posso dizer? O primeiro, claro, o do KC 390! Foi muito importante. Me tocou muito, não só porque foi nosso primeiro episódio na TV Cultura, mas porque eu acho essa aeronave espetacular, extremamente importante para o Brasil. Eu acho que essa aeronave é um divisor de águas. Na história da aviação brasileira e da nossa indústria. Sentimentalmente, o episódio que mais me tocou foi o do FW 200 Condor. Eu viajei até a Alemanha. Fui o primeiro jornalista brasileiro a ver o único exemplar desse avião que foi reconstruído. O diretor do acervo aeronáutico do museu técnico de Berlim, abriu exceção para me levar para ver a aeronave. Foi muito emocionante, porque é uma ave maravilhosa, que não existia. Infelizmente, não havia sobrevivido nenhum até os nossos dias. E após um trabalho de mais de 20 anos, um foi reconstruído. Foi realmente uma coisa que me bateu fundo, que me emocionou. Eu lembrei do meu pai, que eu gostaria que tivesse lá comigo e não está aqui conosco. Comigo vai estar sempre, mas não está mais aqui conosco. Dessa nova temporada, eu não vou citar um episódio que eu acho que vai ser o melhor. Porque eu não vou fazer spoiler! Aguardem. Mas tem muita coisa, tem muito avião, tem muita aeronave muito bacana que vem nessa segunda temporada!

FW 200. Foto: Anders Beer Wilse

4) Ao lançar um programa, há sempre aquela ansiedade se a audiência irá gostar. “Asas e História” não só fez sucesso, como o público pediu a ampliação do tema. Como foi poder assinar essa renovação?

Um programa de televisão de 10 minutos em TV aberta e na TV Cultura! É uma emoção muito especial!  A consagração veio do público da TV Cultura. Isso foi muito legal, porque quando a gente tem o nosso canal no YouTube, o canal da Revista Asas, a Revista Asas existe há mais de duas décadas, então existe o nosso público e a gente está falando diretamente com o público de aviação. Agora, colocar um programa de aviação na TV Cultura e ver o feedback do público da TV Cultura, que não é um público de aviação, não é um público segmentado de aviação, o público da TV Cultura aplaude, acha fantástico. Puxa, que demais! Bateu muito do coração. Foi uma realização profissional muito grande. E agora, na segunda temporada, com tempo ampliado, a gente poder levar a história das aeronaves, os detalhes delas com um pouquinho mais de profundidade, explorando mais. Está sendo muito fantástico. Os episódios estão ficando muito legais, vão ser muito bons. Essa renovação significou muito para a gente. A TV aberta tem um público para a aviação, e nós conquistamos. Agradeço a toda nossa equipe, especialmente a minha esposa, Regiane, que sempre acreditou em mim, sempre acreditou nos nossos projetos. Agradeço muito à TV Cultura por ter aberto esse espaço e à equipe técnica de produção da TV Cultura. Nos deu muito apoio assim muito porque realmente o nível de exigência técnica de uma produção de vídeo para a TV é muito, muito maior do que a uma produção para o YouTube, por exemplo. Foi uma curva de aprendizado na primeira temporada muito importante para a gente. A gente aprendeu muito. Toda a nossa equipa aprendeu muito na primeira temporada.

O BAe Harrier terá um episódio dedicado na segunda temporada de “Asas e Histórias”

5) Na sua visão, o que podemos aprender com essas histórias dessas aeronaves? Que tipo de lições podemos tirar?

A história da aviação é repleta de exemplos de resiliência, de sofrer um revés, se levantar e retomar, seguir em frente. O programa do Bandeirante, da criação da Embraer, bate muito na importância do investimento em educação. Isso é importantíssimo. Uma lição toda que a gente vê também, que eu vejo muito claramente como historiador, inclusive, é a aviação como um patrimônio de uma nação, como um fator de soberania. A aviação não é simplesmente um segmento econômico, um segmento da indústria. A aviação, por tudo que ela agrega de tecnológico, impacta na vida quotidiana das pessoas, desde um micro-ondas até uma panela antiaderente com o teflon, sabe? O que sai da indústria aeronáutica chega às nossas casas, ao nosso ambiente de trabalho, à escola dos nossos filhos, aos nossos carros…. Sem contar o que a aviação faz, claro. Viagens de turismo, de negócio, de família, transporte de órgãos para transplantes e tudo mais. Então, assim, eu vejo a aviação como um fator de respeito de uma nação. O Brasil hoje, por exemplo, qual nome que é conhecido do Brasil no mundo inteiro, ligado à alta tecnologia, a um produto de elevado valor agregado? É um nome de aviação. A Embraer. É o único nome de alta tecnologia, de respeito mundial, de origem brasileira, brasileiro. Isso eu acho que já diz tudo, da significância da aviação.

Confira abaixo os episódios da primeira temporada:

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