O Brasil escreve hoje mais um capítulo na história da aviação. O primeiro caça supersônico produzido nacionalmente acaba de ser apresentado em Gavião Peixoto (SP), onde funcionam instalações da Embraer com a Saab. A solenidade conta com a presença do presidente Lula . A aeronave, com matrícula FAB 4109, acaba de ser apresentada.
“O F-39 é mais um passo dado pela FAB no sentido de garantir a soberania pensando no Brasil como um todo, não apenas na Força Aérea”, enfatizou o gerente do Projeto FX-2, Coronel Claucio Oliveira Marques. Dos 36 F-39 Gripen adquiridos pelo Brasil, 15 terão a montagem final realizada no Brasil. A expectativa atual é de que todos sejam entregues à FAB até 2032.

O Projeto FX-2 abrange um dos maiores programas de transferência de tecnologia já firmados pelo país. Desde que foi firmado, há pouco mais de uma década, o contrato entre FAB e Saab, fabricante do F-39 Gripen, já resultou em treinamento para 350 engenheiros brasileiros na Suécia, mais de dois mil empregos diretos e dez mil postos de trabalho indiretos e, ainda, criação de produtos inovadores associados à aeronave.
Hoje, partes da estrutura física dos caças Gripen é produzida no Brasil, além de outros componentes específicos. Porém, o grande destaque é o ganho de conhecimento na capacidade de integração de sistemas e na condução de uma linha de montagem de uma aeronave avançada.

A Embraer não é a única empresa brasileira participante do projeto. A Akaer, por exemplo, participou do projeto da fuselagem e das asas, por exemplo, também prestando assessoria na linha de montagem. Já a AEL se destacou por fornecer o Head Up Display e a o Wide Area Display, solução tecnológica que inicialmente seria adotada só pelas aeronaves brasileiras mas se tornou parte da oferta global da Saab pelo modelo.
Ganhos históricos com parcerias
A construção do Gripen no Brasil lembra outros projetos de parceria internacional que trouxeram saltos para a indústria aeroespacial brasileira. A partir de 1971, por exemplo, a Embraer passou a produzir sob licença o jato subsônico italiano de treinamento avançado MB326, designado aqui como EMB326GB e designado na FAB como AT-26 Xavante. E dez anos, 182 unidades foram produzidas, incluindo seis para o Togo e dez para o Paraguai. Mais que o primeiro jato da Embraer, foi o um projeto que precedeu aeronaves de sucesso, como o Tucano e o Brasília.

Em 1981, quando foi encerrada a produção do Xavante, a Embraer passou a fazer parte do programa AMX, que à época desenvolvia um jato de ataque, em uma parceria inicialmente formada pelas companhias italianas Aeritalia e Aermacchi. A companhia brasileira ficou responsável por 29,7% do projeto, sendo responsável pelo desenvolvimento de componentes como asas, trem de pouso e tanques de combustível. Além disso, a Embraer ganhou o direito de produzir o AMX integralmente.
Apesar de o jato não ter sido sucesso de vendas, com a própria encomenda ao Brasil tendo sido reduzida de 79 para 56 unidades, tendo as entregas se prologando de 1989 a 1999, o AMX representou um salto operacional para a FAB e um ganho significativo de conhecimento para a Embraer. Nos anos 90, a empresa conduziu os primeiros voos dos seus protótipos de jatos regionais, que alçaram a companhia brasileira ao posto de terceira maior fabricante de aeronaves do mundo.











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