A possibiliade do envolvimento de tropas terrestres dos Estados Unidos no atual conflito contra o Irã traz a lembrança de um fracasso miliar que não só abalou o Pentágono, mas também contribuiu para a mudanças nos rumos de uma eleição para a Casa Branca. Até hoje,Operation Eagle Claw é sinônimo para uma série de erros.
A operação, que deveria reunir forças especiais, caças F-14 Tomcat e F-4 Phantom, os porta aviões USS Nimitz e USS Coral Sea, helicópteros RH-53D Sea Stallion e até gunships AC-130 Spectre, acabou de maneira vexatória. Nenhum dos 52 reféns que seriam resgatados da embaixada dos EUA em Teerã foi libertado. Na realidade, nenhuma aeronave americana sequer conseguiu chegar à capital iraniana.
Nos dias 24 e 25 de abril de 1980, o Pentágono levou adiante uma missão acompanhada de perto pelo então presidente, Jimmy Carter. Na primeira fase, tudo deu certo: aviões C-130, EC-130E e MC-130E invadiram o espaço aéreo iraniano à noite e pousaram em uma localidade no meio do deserto, onde desembarcaram mais de cem homens das forças especiais, suprimentos, equipamentos e mais de 22 mil litros de combustível de aviação.
Os problemas logo começaram: um caminhão civil foi avistado em uma estrada próxima e os Rangers dispararam foguetes. O passageiro acabou morto, mas o motorista conseguiu fugir. Em seguida, apareceu um ônibus com mais 44 civis, que logo foram detidos pelas forças invasoras.

Mas não era nada que impedisse a missão. A fase seguinte foi ativada: oito RH-53D Sea Stallion decolaram do porta-aviões USS Nimitz em direção ao ponto de encontro. O plano era: na primeira noite, voar até o ponto de apoio, embarcar as forças especiais, e avançar mais 420 km para mais uma base temporária, a apenas 84 km de distância de Teerã.
Essa força deveria se manter oculta durante todo o dia para, na noite seguinte, fazer o assalto à embaixada na capital iraniana. Gunships AC-130 Spectre, aviões de ataque A-6 Intruder e A-7 Corsair II, além de caças F-14 Tomcat e F-4 Phantom deveriam participar do ataque a Teerã, enquanto os RH-53D levariam as forças especiais até a embaixada. Ao fim da ação, cargueiros C-141 Starlifter pousariam na base iraniana de Manzariyeh para resgatar todos.
Nada deu certo. Ainda na rota inicial, um dos RH-53D apresentou problemas no motor. A aeronave foi abandonada e seus tripulantes passaram para outra da esquadrilha. Os sete helicópteros restantes acabaram encontrando um haboob, fenômeno meteorológico caracterizado como uma enorme nuvem de poeira. Mais um RH-53D abandonou à formação, voltando ao USS Nimitz. Um terceiro acabou pousando no local marcado, mas com problemas hidráulicos.
Ali, no meio do deserto, as forças especiais se viram diante de escolhas difíceis. De oito helicópteros planejadados para uma incursão até a capital do Irã, havia apenas cinco. Isso foi logo considerado insuficiente. Depois de duas horas, e com autorização presidencial, a operação Eagle Claw foi abortada. Mas não foi só isso: em solo, durante as operações de reabastecimento, um RH-53 acabou colidindo com um EC-130. Cinco dos 14 tripulantes do avião e cinco de oito tripulantes do RH-53 morreram na explosão.

Em meio à situação caótica ainda foi possível destruir documentos confidenciais. Logo em seguida, todos embarcaram nos aviões e fossem embora dali. Cinco RH-53 foram deixados no deserto iraniano. Dois deles até entraram posteriormente em serviço com a Marinha do Irã. Restou aos espiões da CIA em Teerã, sem saber se haviam sido desmascarados, também fugirem por meios próprios.
Anualmente, o fracasso norte-americano é comemorado no Irã. Para o Aiatolá Khomeini, líder espiritual da revolução iraniana, a derroa das forças dos EUA naqule dia foi obra divina. Do lado norte-americano restou rever procedimentos, treinamentos e estruturas de comando das forças especiais. E para o presidente Jimmy Carter, o fracasso da Eagle Claw contribuiu para a sua derrota na eleição seguinte.
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