A Marinha do Brasil realizou, entre 26 de agosto e 1º de setembro, uma operação na área oceânica chamada de Elevação do Rio Grande. A ação ocorre cerca de um ano após o país apresentar novos estudos geológicos e geofísicos à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da Organização das Nações Unidas. O Brasil quer soberania sobre a área, que tem mais de 900.000 km² e é rica em recursos minerais, incluindo as chamadas “terras raras”.
Chamada de “Operação Sentinela”, a atividade da Marinha do Brasil incluiu o maior navio da frota, o navio-aeródromo multipropósito Atlântico, com escolta das fragatas União e Tamandaré, além de helicópteros SH-16 Sea Hawk e AH-11B Super Lynx. Esta última é o meio de guerra naval mais moderno da América Latina. As embarcações realizaram atividades de vigilância, adestramento, formação e apoio à pesquisa científica.
A frota brasileira navegou até a região da Elevação do Rio Grande, alcançando mais de 730 quilômetros de afastamento do litoral brasileiro. A formação submarina se estende pelo Atlântico Sul e alcança, em seus pontos mais distantes, aproximadamente 1.200 quilômetros da costa.

“A Operação ‘Sentinela’ demonstra a capacidade da Esquadra de atuar em áreas oceânicas de elevado interesse estratégico para o Brasil mesmo que em grandes distâncias da costa e a integração de capacidades nos mantém prontos para contribuir com a defesa dos interesses nacionais no mar”, destaca o Comandante em Chefe da Esquadra, Vice-Almirante Iunis Távora Said.
Ao longo da Operação Sentinela, a frota realizou uma série de treinamentos, incluindo disparo a partir dos helicópteros e infiltração de tropas a bordo por meio da técnica de fast rope. A Marinha do Brasil divulgou que, ao longo de toda a missão, não foram detectadas embarcações estrangeiras.
A bordo do navio de maior porte, estavam 40 aspirantes da Escola Naval e 15 pesquisadores dos cursos de Ecologia, Biologia Marinha e Oceanografia, vinculados a seis instituições de ensino e pesquisa do País: Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade Federal Fluminense (UFF).

“Reconhecendo a relevância dessa região, o Brasil submeteu, em dezembro de 2018, à CLPC, a proposta de extensão das margens oriental e ,eridional de sua plataforma continental, que inclui a Elevação Rio Grande. As pesquisas científicas fornecem a base de dados necessária à sustentação dos pleitos brasileiros, bem como à identificação dos recursos naturais, vivos e não vivos, da região. As comissões científicas também incrementam a presença brasileira e o monitoramento na ERG, além de contribuírem para o uso sustentável e a proteção desse patrimônio que pertence à sociedade brasileira”, acrescenta o Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, Contra-Almirante Robledo de Lemos Costa e Sá.
A bordo, o doutor em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo, Rodrigo Fernandes More, ministrou palestra sobre Direito Marítimo. “Na perspectiva do presente, a importância está no que estamos vendo hoje aqui, por exemplo, embarcados no ‘Atlântico’: uma oportunidade para a discussão da soberania nacional, da apropriação de recursos e riquezas que estão dentro da jurisdição e competência do Brasil, agregando a universidade, a sociedade civil e a Marinha do Brasil”, explica.
Segundo o professor, a Elevação do Rio Grande apresenta potencial associado à ocorrência de minerais estratégicos.“Ela congrega um volume substancial de crostas ricas em cobalto. É importante lembrar que o cobalto é um dos metais utilizados no desenvolvimento de baterias de carros elétricos, por exemplo. Para o desenvolvimento do País em energia limpa, essa reserva da Elevação do Rio Grande é estratégica para o futuro do País e para as futuras gerações de brasileiros”, destacou.
(Com informações da Agência Marinha de Notícias)










