AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

C-23 Sherpa será o primeiro avião do Exército Brasileiro desde 1941

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Setenta e seis anos depois do Exército Brasileiro (EB) deixar de operar aeronaves de asa fixa, quando, por criação da Força Aérea Brasileira (FAB), em 1941, todos os seus aviões foram transferidos a esta; a atual Aviação do Exército (AvEx) está prestes a recuperar enfim a operação deste tipo de aeronave. Há já algum tempo, a AvEx vinha fazendo estudos com vistas à aquisição de um avião de tipo utilitário, bimotor e com boa capacidade de operação em pistas rústicas, para o cumprimento de missões de ligação, transporte leve e outras. Com as vantagens tradicionais de aparelhos de asa fixa diante dos helicópteros (maior alcance e velocidade), estes aviões seriam especialmente úteis na Região Amazônica, no apoio aos Pelotões Especiais de Fronteira do EB, e mesmo em projetos estratégicos como o SISFRON. Agora. enfim, está confirmada a aquisição de aviões pelo EB – na Portaria Nº 067-COLOG, de 4 de agosto último, o Comando Logístico (COLOG) do EB oficializou a obtenção de quatro bimotores C-23B+ Sherpa, numa negociação direta com o governo norte-americano.

Avaliando aparelhos de produção nova disponíveis no mercado, despontaram como candidatos o RUAG Do-228, Viking Air Twin Otter e Sikorsky M-28 Skytruck. Curiosamente, nenhum destes era de fato um modelo “novo”, mas sim versões melhoradas agora produzidas por uma nova empresa que adquiriu o projeto original (caso dos dois originais, oriundos da Dornier e da De Havilland Canada, respectivamente) e de uma nova versão de um tipo de projeto original soviético (o Antonov An-28, cuja produção foi transferida para a polonesa PZL, hoje adquirida pela Sikorsky, ainda nos tempos do regime soviético).

Em 2016, entretanto, surgiu a possibilidade de se satisfazer a necessidade da AvEx não com a compra de exemplares “novos de fábrica”, mas através da aquisição de aparelhos estocados pelo US Army (Exército norte-americano) do Short C-23B+ Sherpa, versão militar do turboélice regional Short 360; que havia então sido substituído pelo Alenia/Lockheed-Martin C-27J Spartan. A aquisição destes aparelhos foi se tornando cada vez mais cabível, e praticamente foi selada em 28 de julho deste ano, quando, em teleconferência da Diretoria de Material do EB, esta recebeu a numeração dos quatro Sherpa que comporiam o primeiro lote a ser adquirido, já oficialmente oferecido pelo Governo norte-americano, e autorizado pelo Congresso (Documento 14-021), tendo estes aparelhos os designativos de serviço (tail numbers) 93-1321, -1334, 1335 e -0310.

Segundo nossa reportagem pode apurar, a este primeiro lote de quatro aparelhos, deve seguir-se a aquisição futura de outras oito aeronaves, todas do mesmo tipo, de modo a compor um inventário de 12 Sherpa na AvEx.

Com capacidade para 18-20 passageiros (ou tropas), o C-23B+ tem comprimento de 17,7m, envergadura de 22,8m e altura de 5,0m; com peso vazio de 7.276kg e máximo de decolagem de 11.610kg. A carga útil máxima é de 3.302kg. Equipado com dois turboélices Pratt & Whitney Canada PT6A-65AR, de 1.062kW cada, tem velocidade máxima de 468km/h e de cruzeiro de 422km/h, com alcance de 1.907km. Porém, para as missões da AvEx, são particularmente atraentes as capacidades de decolagem e pousos curtos (STOL) do C-23B+, que pode decolar com peso máximo numa distância de apenas 564m, e, superando um obstáculo vertical de 15m, em 802m; enquanto a distância de pouso (passando sobre um obstáculo vertical de 15m) é de parcos 586m.

Como já dito, a versão militar C-23B+ é baseada no Short 360, desenvolvido pela fabricante britânica Short Brothers e colocado em serviço em 1982, sendo mantido em produção até 1991, num total de 165 exemplares entregues. Era baseado no Short 330, que voou pela primeira vez em 22 de agosto de 1974 (e cujas versões militares são os C-23A/B).

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