AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA DOS ARQUIVOS DE ASAS

Caças F-14 abateram jatos de Gaddafi há 40 anos

Caça F-14A Tomcat do esquadrão VF-41 Foto: US Navy
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Hoje, 19 de agosto, completam-se 40 anos de um dos incidentes internacionais mais famosos da história da aviação de caça. Dois caças F-14A Tomcat da US Navy abateram um par de Sukhoi Su-22 da Força Aérea da Líbia, à época dominada com a mão de ferro pelo ditador Muammar al-Gaddafi. O fato histórico ficou conhecido como “Incidente do Golfo de Sidra”.

Oito anos antes Gaddafi havia declarado soberania em uma área de até 115 km de distância do litoral do país, chamando a fronteira imaginária de “linha da morte”. Logo foram iniciadas operações militares na área, todas em nome da liberdade de navegação no Mediterrâneo. Porém, até o início do governo de Ronald Reagan eram limitadas a voos de reconhecimento.

USS Nimitz, USS Mississippi, USS Texas e USS Biddle rumam para o local de operações, em 1981
Foto: US Navy

Aumenta a tensão


Aquele dia 19 de agosto de 1981 amanheceu tenso nas águas disputadas. O porta-aviões USS Nimitz estava na área com dois esquadrões com os novos F-14 Tomcat, com o apoio do USS Forrestal, que levava dois esquadrões de F-4 Phantom II. A resposta Líbia havia sido até aquele momento voos incessantes de caças MiG-23, MiG-25, Sukhoi Su-20, Sukhoi Su-22 e Mirage F-1. No dia 18, pelo menos 70 aeronaves líbias foram identificadas pelas forças norte-americanas, inclusive com a realizações de interceptações, todas sem incidentes.

MiG-23 da Líbia interceptado por um F-4 da US Navy em 1981, no Golfo de Sidra.
Foto: US Navy

Porém, para aquela manhã a US Navy estava disposta a provocar Gaddafi. Um jato de patrulha S-3A Viking passou a voar na área disputada, isto é, além da “linha da morte” estabelecida pelo ditador, mas fora dos limites internacionalmente reconhecidos. Foi uma armadilha: tão logo dois Sukhoi Su-22 rumaram em direção ao indefeso avião da US Navy, um avião-radar E-2 Hawkeye acionou dois F-14A Tomcat que realizavam uma patrulha aérea de combate (Combat Air Patrol – CAP).

As aeronaves do esquadrão VF-41 “Black Aces” tinham dois tripulantes, cada. No “Fast Eagle 102” estavam a bordo o Commander Henry ‘Hank’ Kleemann, como piloto, e o Tenente David ‘DJ’ Venlet, como oficial de radar e armamento. No “Fast Eagle 107” voavam os tenentes Lawrence ‘Music’ Muczynski e James ‘Luca’ Anderson.

O par de Su-22 havia decolado da Base Aérea Ghurdabiyah, no subúrbio da cidade litorânea de Sirte. O S-3A foi ordenado a voar para norte e se evadir do local a meros 500 pés de altura (cerca de 150 metros) sobre o mar.

Su-22 da Líbia armado com mísseis AA-2 Atoll

Tão logo os caças da US Navy e da Líbia se encontraram, o primeiro disparo foi de um Su-22. Um míssil AA-2 Atoll, guiado por infra-vermelho, foi lançado a aproximadamente 300 metros de um F-14, mas errou. Logo após os disparos os Su-22 se dispersaram: um voou para noroeste e o outro para sudeste. O fato é que tanto norte-americanos quanto Líbios sabiam: disparar contra os F-14 significaria haver autorização para o revide.

E ele ocorreu. “Hank” e “DJ” se tonaram, segundos depois, os primeiros a registrarem um kill com um F-14 da US Navy: o AiM-9L Sidewinder atingiu a traseira do Su-22 que liderava a formação. Em seguida, “Music” e “Luca” também abateram seu alvo, da mesma forma, com um único AiM-9L. Foram os primeiros kills da US Navy desde a Guerra do Vietnã.

Os dois pilotos líbios ejetaram, o que levou, ainda naquela manhã, a mais tensão na área, com a presença de aeronaves de busca e salvamento. A fim de chamar a atenção dos interceptadores da US Navy, caças MiG-25 chegaram a voar em velocidades supersônicas em direção aos porta-aviões, mas sempre mudando de direção tão logo eram “iluminados” pelos F-14.

O F-14 Tomcat “Fast Eagle 102” no dia em que foi usado para abater um Su-22 da Líbia
Foto: US Navy

Mais abates

Não foi o único “Incidente do Golfo de Sidra”. A tensão entre os EUA e a Líbia se manteve ao longo dos anos 80, incluindo operações como a El Dorado Canyon, com bombardeiros de jatos F-111 e A-6, e Prairie Fire, ambas com cobertua de caças F-14, porém sem os Tomcat se envolverem em combates aéreos. Finalmente, em 1989, foi a vez de dois MiG-23 entrarem na lista de vítimas dos F-14 da US Navy.

Top Gun

Em 1986, o F-14 Tomcat se tornou uma verdadeira “estrela de cinema” com a estreia do filme Top Gun. Para muitos, é um dos melhores filmes do gênero, o que não impede de ter lá as suas falhas: em um vídeo divertidíssimo, Claudio Lucchesi apresenta falhas técnicas. Confira:

E de onde vem o nome “Top Gun”?
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