Caças F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira chegam no fim deste mês a Antofagasta, no Chile, para seu primeiro exercício fora do País, a Salitre 2026. A expectativa é a de que os aviões brasileiros tenham protagonismo. Para isso, o 1º Grupo de Defesa Aérea tem sido treinado para chegar ao exercício em alta forma.
No Chile, os F-39E poderão se exercitar em combates simulados contra os caças F-16C/D, F-16AM/BM e F-5E Tiger III do Chile, que contarão com apoio de um avião-radar E-3D Sentry. Também estarão por lá o IA-63 Pampa III da Argentina e os A-29 Super Tucano do Paraguai. Em teoria, nenhuma dessas aeronaves têm capacidades para se contrapor aos jatos brasileiros, que tiveram suas características artificialmente reduzidas em exercícios para permitir algum grau de dificuldade.
O cronograma prevê que em junho acontecerá a ida das aeronaves e adaptação ao local. As principais atividades ocorrem a partir de julho. As operações aéreas ocorrem entre o Oceano Pacífico e o Deserto do Atacama, em um cenário típico de conflito aéreo simulado, em que uma coalizão enfrenta uma “Red Force”. A Salitre é, essencialmente, a versão chilena da “Cruzex” brasileira.

Preparação de alto nível
No início de junho, a FAB realizou em Anápolis (GO) o Exercício Técnico de Combate Aéreo Visual Dissimilar (EXTEC WVR), em que os caças F-39E foram testados frente aos F-5EM e A-1AM. O treinamento evoluiu desde os fundamentos básicos até cenários complexos de combate aéreo dissimilar 2×1. Essa abordagem permitiu explorar as características particulares de cada plataforma, identificando as vantagens, limitações e oportunidades de emprego tático em diferentes situações operacionais.
Foi a primeira participação do F-39 Gripen em um exercício dedicado ao combate aéreo visual dissimilar. A atividade representou a oportunidade para o desenvolvimento e amadurecimento de Táticas, Técnicas e Procedimentos (TTP) relacionados ao emprego do mais moderno caça da FAB em cenários de elevada complexidade.

Além dos voos operacionais, foram realizados workshops voltados à discussão e padronização de conceitos de combate WVR, promovendo a troca de experiências entre os pilotos e fortalecendo a construção doutrinária da Aviação de Caça. Durante o exercício, foram empregados flares e mísseis de treinamentos reais, o que proporcionou elevado grau de realismo às missões e ampliou os ganhos operacionais.
Histórico
Na Salitre I, em 2004, a FAB participou com seus F-5E Tiger II, ao lado de um reabastecedor KC-137 (Boeing 707), ao lado de uma série de aeronaves que atualmente não fazem mais parte das frotas sul-americanas, como os Mirage 50 Pantera, Mirage 5 Elkan e A-37B Dragonfly do Chile e os Mirage III e Mirage 5 Mara da Argentina. Já os EUA participaram com os F-16C/D, à época, aeronaves bem acima das capacidades locais.
Em 2009, a Salitre II trouxe a estreia dos A-4AR Fightinghawk da Argentina e dos F-16C/D e MLU do Chile, além dos A-1 AMX do Brasil, em sua versão não modernizada. Os Estados Unidos enviaram os F-15C Eagle e a França veio com os Mirage 2000.

Seis anos depois, em 2014, durante a Salitre III, o Brasil levou pela primeira vez seus F-5EM, versão modernizada dos F-5 e superior aos F-5 Tiger III, também modernizados, usados pelo Chile desde a Salitre I. Chile e Argentina repetiram suas forças, enquanto os EUA voltaram aos F-16C/D e o Uruguai contribuiu com os A-37B Dragonfly.
Na Salitre IV, em 2022, o destaque foi a presença de um KC-390 Millenium da Força Aérea Brasileira, em substituição aos KC-130H usados pelo Brasil desde a primeira edição. Também chamou a atenção os IA-63 Pampa III, da Argentina, em um contexto de falta de disponibilidade de aeronaves de caça. Já o Chile repetiu seus efetivos, além de incluir seus E-3D Sentry.
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