AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Novo caça russo traz inovações aerodinâmicas e inteligência artificial como copiloto

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Lançar e controlar drones de combate, inteligência artificial para combate aéreo, sobrevivência em ambientes dominados pela guerra eletrônica e capacidade stealth. Se depender do conglomerado russo United Aircraft Corporation (UAC), a partir de 2026 diversos países poderão ter acesso a essas tecnologias.

É essa a proposta do Checkmate, caça apresentado oficialmente no evento aeroespacial MAKS 2021, que acontece até amanhã em Zhukovsky, próximo a Moscou. De acordo com o diretor-geral da UAC, Yury Slyusar, a expectativa é vender 300 unidades nos próximos 15 anos, com foco em nações do Oriente Médio, América Latina e Sudeste Asiático.

“Quando eu digo 300 caças, isso não é só um sonho. É uma projeção calculada de acordo com os países e as regiões. Nós analisamos a clientela”, afirmou Yury Slyusar para a agência TASS. Em um dos vídeos de lançamento, foram citados como potenciais clientes Índia, Emirados Árabes Unidos, Vietnan e Argentina.

A promessa é alta. Por um lado, o Checkmate deve ser capaz, nas palavras de Yury Slyusar, combater os atuais projetos de quinta geração (F-22, F-35, Su-57, J-20) e enfrentar de igual para igual os sistemas de sexta geração (como o europeu FCAS e o norte-americano F/A-XX). Por outro, a UAC fala em oferecer o caça a um preço até sete vezes menor que o atualmente cobrado pelo F-35 Lightning II, caça criticado pelos altos custos e ainda sob embargos políticos, como o cancelamento das vendas para a Turquia.

Uma das apostas para baixar os custos está na manutenção. Um sistema de suporte logístico chamado de Matreshka foi criado para apoiar a operação de maneira facilitada. O chefe da equipe de projeto, Mikhail Strelets, ressaltou a nova metodologia para planejar os serviços de manutenção. “Usando os novos métodos de análise preditiva, o sistema vai rastrear as condições do avião em tempo real durante o seu ciclo de vida”, explicou.

Copiloto artificial

O Checkmate é, tecnicamente, um caça para um único ocupante. Mas isso não quer dizer que o piloto estará sozinho. “O Checkmate é equipado com sistema de inteligência virtual que atuará como um copiloto. Ele vai diagnosticar todos os sistemas e ajudar o piloto em uma rápida mudança da situação de combate. O piloto vai se focar em emitir os comandos e a máquina vai executar todas as operações automaticamente”, disse Mikhail Strelets.

O uso da inteligência artificial deve estar presente também na integração com drones e, em seguida, em uma versão não tripulada do próprio Checkmate. “Versões tripuladas e não tripuladas do Checkmate poderão operar em um sistema de combate em rede, o que significa atuar como parte de um grupo de aeronaves”, completou o chefe da equipe de projeto. O drone de combate S-70 Okhotnik-B, por exemplo, deve ser uma companhia comum para o novo caça.

A aeronave deve contar com toda a suíte tecnológica presente nos mais modernos caças da MiG e da Sukhoi, como o Su-35 e o MiG-35, que fazem parte do conglomerado UAC. Isso inclui sistemas de guerra eletrônica, sensor eletro-ótico, sistema laser de autodefesa e radar AESA. O sistema de armas poderá atacar até seis alvos simultaneamente, seja no ar, no mar ou em terra. Há destaque também para o uso de comandos por voz e da presença de um único visor de grandes dimensões com apresentação dinâmica, uma tecnologia disponível nos F-39 da Força Aérea Brasileira.

Foto: Sergei Fadeichev – TASS

Armamento multimissão

Desde a concepção inicial o caça foi pensado como uma plataforma multimissão. A UAC afirma que haverá a possibilidade de levar até cinco mísseis ar-ar de nova geração, tanto para combate a longa distância quanto curta. Um canhão também será instalado. De acordo com o fabricante, o compartimento de armas será o maior entre os projetos atuais, o que significa superar o F-35, o F-22, o J-20 e o próprio Su-57. Haverá também suporte sob as asas para armamentos, tal como o chamado “beast mode” do F-35, quando o jato perde a sua característica stealth, mas pode levar mais armas para o teatro de operações.

A suíte de armamentos atualmente prevista inclui os mísseis antisuperfície Kh-38MLE, mísseis antirradar Kh-58UShkE, bombas guiadas KAB-250LG-E e K029BE, mísseis de cruzeiro GROM, mísseis ar-ar Vympel R-73/74 e R-77M, míssil antinavio Kh-59MK e foguetes não guiados. A carga bélica deve chegar a 7.400 kg.

Inovações aerodinâmicas

Em termos físicos, é prometido para o Checkmate um desempenho que inclua supermanobrabilidade, capacidade de operar em pistas curtas, empuxo vetorado, velocidade máxima de Mach 1.8r com pós-combustão e supercruzeiro sem esse recurso, isto é, poder voar a velocidades supersônicas com economia de combustível. O peso máximo de decolagem deve ficar na casa das 18 toneladas. O Gripen da versão mais moderna, para comparar, decola com até 16,5 toneladas. O motor deverá ser o Izdeliye 30, ainda em desenvolvimento, e também planejado para o Su-57. Com ele, o raio de combate poderá chegar a 1.500 km.

Chamou a atenção a entrada de ar. Uma visão inicial a colocaria na mesma característica de modelos vistos anteriormente, como a do Boeing X-32, derrotado na seleção norte-americana pela proposta da Lockheed Martin que se tornaria o F-35. Porém, há ali um Diverterless Supersonic Inlet (DSI), uma possibilidade de engenharia aeronáutica capaz de oferecer um fluxo de ar suficiente para o motor em diversas situações de voo ao mesmo tempo em que bloquearia a assinatura-radar em variados ângulos.

Outra inovação parece estar na traseira. O Checkmate não tem uma configuração tradicional de um par de estabilizadores verticais e outro par horizontais. O que há é uma única dupla de superfícies de controle em ângulo, sugerindo uma manobrabilidade diferenciada, além de reduzir a assinatura radar e infravermelha. Isso, sim, foi visto no antigo YF-23, derrotado pelo F-22 por, entre outros aspectos, ser considerado muito complicado à sua época. Agora, a UAC parece dominar a tecnologia necessária para a inovação aerodinâmica. Ainda assim, a manobrabilidade não parece ser o foco de um caça para o futuro: a célula será limitada a manobras de até 8g, não chegando aos 9g suportados pelo Su-35, por exemplo.

O desenvolvimento do Checkmate ocorreu em paralelo com o do Su-57, que já entrou em serviço. Há várias semelhanças, como a cabine do piloto e o trem de pouso. É provável que até a entrada em serviço ocorram mudanças visuais, ainda que o projeto deva ser mais avaliado pelo desempenho eletrônico que pela parte física.

Apoio para conquistar exportações

O primeiro voo deve ocorrer em 2023. Os protótipos pré-série estão planejados para 2024 e 2025. Com o início das entregas em 2026, já em 2027 a Rússia pretende ver esquadrões equipados com o Checkmate. Os prazos podem ser considerados otimistas, mas parece não faltar apoio.

O Checkmate é uma aposta pessoal do presidente Vladimir Putin, que poderá ficar no poder até 2036. Ele foi pessoalmente ver o mockup do Checkmate de perto, uma forma de demonstrar seu apoio ao projeto da UAC.

A própria imprensa russa avalia que Moscou deve fazer uma encomenda de pelo menos uma dúzia desses caças para ajudar a impulsionar o mercado. A atuação governamental, porém, terá como foco oferecer condições de financiamento vantajosas. E já se fala de uma versão naval, tanto para a Rússia quanto para eventuais clientes de exportação.

Agora saiba mais sobre outro caça russo, o Sukhoi Su-57, neste vídeo especial com Claudio Lucchesi:

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