Após comemorar 50 anos de serviço na Fuerza Aérea de Chile, os caças F-5E/F Tigre III se tornaram foco do interesse por sua substituição, com algumas fontes citando até a possibilidade de compra dos jatos F-35 Lightning II. Porém, o cenário econômico chileno pode levar o país a soluções mais contidas.
A primeira delas é adiar a própria aposentadoria dos F-5. As doze aeronaves em serviço a partir da Base Aérea de Punta Arenas são planejadas para voar até 2030, mas não é descartado postergar a data por cinco anos adicionais, o que levaria o Chile a se aproximar dos 60 anos de uso dos jatos, modernizados nos anos 90 para o novo padrão tecnológico.
Quanto à substituição, a compra de caças F-35, ou outras opções atualizadas, como o Eurofighter Typhoon ou o Dassault Rafale, esbarra no alto valor envolvido. O cenário atual do país andino é visto com preocupação: enquanto no governo de Gabriel Boric houve um crescimento médio de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), desde que José Antonio Kast assumiu o poder, em 11 de março de 2026, os índices têm caído. No segundo trimestre do ano, a economia encolheu 0,2% frente ao mesmo período do ano passado.

As más notícias econômicas chegam junto ao fim da liderança chilena em termos de poderio aéreo. Em 2006, por exemplo, a Fuerza Aérea de Chile era líder inconteste na região ao iniciar o recebimento de 10 F-16C/D Block 50 novos e de 36 F-16AM/BM de segunda mão. De lá para cá, porém, o Peru fez a encomenda de caças F-16V Block 72, uma geração adiante dos modelos operados no Chile, e o Brasil iniciou a operação dos F-39E Gripen, aeronaves que podem ser classificadas como de outra categoria, e que também foram encomendadas pela Colômbia.
A imprensa local, a apesar das notícias sobre a possibilidade de compra dos F-35, não deixou de mencionar que há chances de haver a compra de novos caças F-16, sem haver o esclarecimento se seriam aeronaves novas, como as do Peru, ou as usadas e de padrão tecnológico menos avançado, como as da Argentina. Vale destacar, ainda, que os F-5 Tigre III foram modernizados quase uma década antes dos F-5E/FM do Brasil, estando em um patamar tecnológico defasado para a guerra aérea moderna, mas ainda relevante no contexto da América do Sul.

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