China agora tem mísseis antinavio hipersônicos

Novas imagens operacionais confirmaram o disparo do míssil balístico hipersônico antinavio YJ-21 (Eagle Strike 21) a partir de um bombardeiro pesado de longo alcance H-6N da Marinha do Exército Popular de Libertação da China. Se confirmada, a operação demonstra a maturação de uma das combinações mais letais da estratégia chinesa de negação de acesso e área, na prática, uma ameaça real à US Navy e seus aliados.

Para acomodar a arma gigante sob a fuselagem, o H-6N teve a baia de bombas interna eliminada e a área ventral modificada. O H-6N conta ainda com uma sonda de reabastecimento em voo instalada no nariz, o que estende seu raio de ação para além da chamada “Primeira Cadeia de Ilhas” do Pacífico. Isso significa que alvos distantes podem ser considerados alvos, muito longe da costa da China.

O míssil YJ-21 representa um feito de engenharia bélica: propulsionado por um motor de combustível sólido de dois estágios, ele atinge velocidades de cruzeiro superiores a Mach 6 e realiza um mergulho terminal em direção ao alvo que pode chegar a Mach 10 (dez vezes a velocidade do som, ou aproximadamente 12.300 km/h). Nessa velocidade, a energia cinética do próprio impacto, mesmo sem considerar a carga explosiva, é suficiente para causar danos catastróficos à estrutura de um porta-aviões.

O maior desafio tecnológico superado no YJ-21 é o chamado Veículo de Reentrada Manobrável (MARV). Enquanto mísseis balísticos tradicionais seguem uma trajetória parabólica previsível, o MARV do YJ-21 consegue realizar guinadas e correções de rota durante o mergulho na atmosfera densa. Esse comportamento errático, somado ao plasma gerado pelo atrito do ar que dificulta a detecção por radar, torna a interceptação do míssil por sistemas de defesa antiaérea atuais uma tarefa quase impossível.

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Humberto Leite

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