AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Compra de caças pelo Peru se torna teste de credibilidade

Imagem ilustrativa de inteligência artificial

O Peru vai comprar caças F-16. O Peru vai comprar caças Gripen. O Peru vai comprar caças Eurofighter. O Peru vai comprar caças Rafale. Notícias que dão como definido o processo renovação da aviação de combate do país vizinho se tornaram um teste de credibilidade, tanto para o governo peruano quanto para a imprensa. O fato é que até o momento não há nada certo e, principalmente, o Peru terá eleições presidenciais em 12 de abril.

Vale lembrar que a compra de aeronaves de combate é uma decisão técnica, financeira e política, com implicações evidentes, por exemplo, nas relações internacionais. E o contexto atual peruano é complexo: desde 28 de julho de 2016, quando assumiu Pedro Pablo Kuczynski, já são nove pessoas indicadas para a tarefa (uma sequer tomou posse). Com a iminente eleição de mais um ocupante para a Casa de Pizarro, nome do palácio presidencial em Lima, serão dez presidentes em dez anos, representando cinco partidos diferentes, além de dois políticos classificados como “independentes”.

Em julho do ano passado, a então presidente Dina Boluarte, que ficou mais de 2 anos no cargo e iniciou o programa de seleção, anunciou o Gripen como o novo caça. Afastada em 10 de outubro de 2025, foi substituída por José Jerí, que declarou apoio à compra de caças F-16 e cuja gestão mostrou características de buscar alinhamento com os Estados Unidos. Mas não houve assinatura e mais Jerí foi afastado do cargo, sendo passando para José María Balcázar, que assumiu em 18 de fevereiro prometendo clima tranquilo para passar a faixa presidencial a quem vencer o pleito de 12 de abril.

Neste cenário, a decisão de José María Balcázar de anunciar a compra do F-16, em 20 de março, causou estranheza por ser um governo de transição e pela promessa de não realizar grandes mudanças no curto período em que ficará na função. A falta de força política ficou evidente horas depois, quando a própria presidência do Peru, de maneira impessoal, lançou nota para afirmar que o processo seletivo é composto por várias etapas e que ainda não há nada definido.

As pressões políticas e econômicas em uma aquisição assim são evidentes e há histórico de casos semelhantes: em 7 de setembro de 2009, por exemplo, o presidente Lula anunciou, ao lado do presidente francês Sarkozy, que o Brasil iria adquirir caças Rafale. O anúncio oficial, contudo, ocorreu só em dezembro de 2013, dando a vitória do Gripen, da Suécia.

No caso peruano, a falta de seguimento de programas estatais, as mudanças constantes de liderança e anúncios sem base normativa criam um clima de desconfiança frente aos anúncios realizados. Ao mesmo tempo, também acendem alerta para a imprensa que, por vezes, não traz reflexões sobre o temas, mas apenas atua como mais uma peça no jogo de pressões políticas e econômicas.

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