Contrato de Gripen para Ucrânia mostra valorização dos caças

O governo da Suécia, por meio da Administração Sueca de Materiais de Defesa, assinou, em 30 de junho, a compra de 16 caças Gripen E, planejados para serem destinados à Ucrânia entre 2029 e 2030. O valor do negócio, aproximadamente 24,6 bilhões de coroas suecas, revela a variação do valor financeiro dos jatos, conforme a realidade de cada contrato, ainda que não seja possível uma comparação efetiva, sobretudo pela variáveis envolvidas.

O novo contrato com o governo da Suécia, voltado para futuro reequipamento da Ucrânia, tem uma média de 1,53 bilhão de coroas suecas por unidade. Em 25 de agosto do ano passado, a Tailândia adquiriu quatro Gripen E/F por 5,3 bilhões de coroas suecas, uma média de 1,32 bilhões de coroas suecas por aeronave. Quase doze atrás, em 24 de outubro de 2014, o governo brasileiro assinou a compra de 36 caças por 39,88 bilhões de coroas suecas, cerca de 1,1 bilhão de coroas suecas por aeronave.

É importante ressaltar as variáveis de cada contrato. A primeira é a inflação registrada no período. A segunda é a disponibilidade de novas tecnologias, conforme a evolução do jato. Outra variante relevante é a respeito de pacotes integrados ao contrato, como é o caso de transferência de tecnologia, como ocorreu no Brasil, treinamento de pessoal, suporte logístico e até apoio de manutenção. 

Primeiro Gripen F da Força Aérea Brasileira, apresentado em 2026, na Suécia. O desenvolvimento dessa versão era uma das principais entregas previstas no contrato com o Brasil. Foto: Saab

Para se ter uma ideia do tamanho desse tipo de apoio, o contingente brasileiro que está atualmente no exercício Salitre, no Chile, apesar de ter militares da Força Aérea Brasileira capacitados para operar e manter os caças Gripen, recebe o reforço de quatro funcionários da empresa. Além disso, o Brasil fez investimentos específicos no seu contrato, como o desenvolvimento da versão biplace, chamada de Gripen F, e adoção de soluções tecnológicas que no primeiro momento não eram previstas, caso do Wide Area Display. 

Além disso, é relevante evitar utilizar moedas estrangeiras na comparação de valores, por conta da variação cambial. Uma comparação em dólar em um momento pode trazer valores diferentes meses depois, por conta das variações de cotação entre a moeda norte-americana e a moeda sueca, ainda que seja mantido algum nível de padrão. O contrato da Saab com a Colômbia para fornecimento de 17 caças Gripen E/F foi divulgado em 15 de novembro de 2025 com o valor de 3,1 bilhões de Euros. Naquele dia, a cotação apontava para 33,94 bilhões de coroas suecas, tornando o pacote um pouco mais caro frente aos demais citados aqui: cerca de 1,99 bilhão de coroas suecas por aeronave.  

Vale lembrar, por fim, que os contratos podem ser modificados por diversas razões, incluindo condições de financiamento. No Brasil, é informação pública de que atrasos nos pagamentos forçaram a necessidade de novas repactuações, com alterações nos prazos de entregas e reajustes. Em 2025, circulou a informação de que as novas tabelas financeiras já foram reajustadas ao ponto de que o país estaria pagando, na prática, o equivalente a seis caças a mais que o previsto, além de o prazo de entrega final ter sido postergado de 2025 para 2032. 

Todas essas possíveis variáveis são comuns a outras aeronaves, como F-35, Rafale, Eurofighter, J-10 ou Su-35, dentre outras.

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Humberto Leite

Autor

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