AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Enquanto compra F-35, Suíça cancela shows aéreos por falta de orçamento

F-18 Hornet da Suíça durante show aéreo. Foto: Ank Kumar

As Forças Armadas da Suíça anunciaram cancelar todos os grandes eventos programados para 2024 e 2025, incluindo shows aéreos como o AirSpirit 24, que ocorreria em 30 e 31 de agosto em comemoração aos 110 anos da força aérea do país. A alegação é de que faltam recursos financeiros.

Em paralelo, o país faz investimentos nas suas forças armadas. Só a compra de 36 caças F-35A Lightning II deve custar cerca de US$ 6,25 bilhões. Até 2030, a Suíça planeja garantir um investimento anual de pelo menos 1% do valor do Produto Interno Bruto em defesa, o que significará um aumento de pelo menos um terço no orçamento.

Foto: Forças Armadas da Suíça

Histórico de neutralidade

A Suíça se diz um país neutro desde o século XVI, sendo reconhecida assim a partir do Congresso de Viena, em 1815. Nas duas grandes guerras mundiais, não aderiu a nenhum lado. Em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) ressaltou seu papel de neutralidade, e o país é sede de organizações como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), símbolo de neutralidade e universalidade.

Atualmente, a Suíça conta com 30 caças F-18 C/D e 30 F-5 E/F. E vem novidade: em 2021, o país assinou um contrato para aquisição de 36 caças stealth F-35 A Lightning II. Sete anos antes, a compra de 22 caças Gripen foi barrada por um referendo. Agora, a nova compra também foi alvo de inúmeras críticas, mas representa o status de crescente cooperação com as forças ocidentais, ainda que pela sua legislação a Suíça jamais possa um dia integrar organizações como a OTAN.

Ser pacífico não quer dizer não ser armado. Em ambas as guerras mundiais, o país manteve uma “paz armada”, com suas forças preparadas para defender a integridade do território, não importando quem seria o invasor. Tanto aeronaves nazistas quanto britânicas e norte-americanas foram abatidas, tanto por caças suíço quanto pela artilharia antiaérea.

Ainda assim, as características únicas do país têm reflexos na força aérea. Dos cerca de 20 mil militares na ativa, 1.500 são de carreira e o restante são reservistas. É o caso da maioria dos pilotos de F-5: em geral, têm o emprego primário em linhas aéreas e atuam como caçadores de maneira secundária.

O elogiável bom estado de conservação dos F-5, disputados no mercado internacional de usados, se deve ao cuidado e ao pouco usado. De fato, até 2020 a Suíça sequer tinha um alerta de defesa aérea 24 horas, por falta de tripulantes. Isso gerou embaraço em 2014, quando o país foi incapaz de interceptar um Boeing 767 sequestrado. Acordos com a Itália e com a França permitiram realizar interceptações no território suiço, mas em 2020 finalmente foi estabelecido um alerta com pelo menos dois F-18, cujos pilotos agora são militares de carreira.

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