Governo Federal congela verba para compra de caças Gripen

A aquisição de caças F-39E/F Gripen para a Força Aérea Brasileira pode sofrer mais atrasos no cronograma. De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo, aproximadamente R$ 800 milhões que seriam destinados a pagamentos dos caças foram congelados pelo Governo Federal. O congelamento total no orçamento, que pode ser revertido nos próximos meses, chega a R$ 23,7 bilhões e afeta outros programas, como o Minha Casa, Minha Vida, o Pé de Meia e o custeio da Receita Federal. A Marinha teve um corte de R$ 536 milhões no seu programa de tecnologia nuclear.

Esse tipo de congelamento de recursos serve para assegurar o pagamento de despesas obrigatórias, como aposentadorias e pensões. Porém, o Ministério da Fazenda pode liberar recursos conforme novas previsões de arrecadação. Também há a possibilidade de negociar a troca de programas congelados. Por exemplo: pode ser decidido parar outra compra ao invés destas, inicialmente identificadas. O governo também negocia com o parlamento tanto a liberação quanto a destinação de emendas parlamentares: hoje, cerca de 25% de todos os recursos para investimentos estão sob domínio de deputados e senadores.

Gripen da FAB durante ensaio fotográfico realizado em Brasília, em 2020. Foto: Johnson Barros

Entre avanços e recuos

O contrato para aquisição de 36 caças Gripen E/F foi assinado em 2014 e, até o momento, resultou na entrega de 11 aeronaves. Ainda que tenham havido alguns desafios de desenvolvimento da aeronave, selecionada precisamente por dar a oportunidade de profissionais brasileiros participarem dessa fase, a inconstância orçamentária tem sido o principal óbice para o recebimento dos jatos. Os atrasos levam à repactuação dos acordos financeiros, o que na prática amplia os valores a serem pagos a longo prazo.

Ainda assim, o programa tem avançado. Como adiantou a Revista ASAS, o primeiro F-39F já foi apresentado publicamente, marcando uma das principais entregas previstas no contrato. Trata-se de uma versão para dois pilotos, criada a partir do requisito da Força Aérea Brasileira, que permitirá tanto o treinamento de pilotos quanto o uso em missões avançadas. O Governo Federal, por meio do Ministério da Defesa, também já mencionou a possibilidade de adquirir mais 20 unidades do caça.

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Humberto Leite

Autor

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