Há 65 anos, um avião de passageiros rompeu a barreira do som pela primeira vez (e não foi o Concorde!)

Há exatos 65 anos, em 21 de agosto de 1961, pela primeira vez um avião civil, criado para transporte de passageiros, rompeu a barreira de som. O voo histórico foi realizado por um Douglas DC-8, aeronave para até 177 passageiros movida por quatro turbojatos Rolls-Royce Conway RCo.12 Mk 509. O feito ocorreu muito antes da estreia do Concorde, que voaria pela primeira vez apenas em 1969.

O DC-8 supersônico era uma aeronave recém-fabricada. Com número de série 45623 e matrícula norte-americana N9604Z, o avião foi comandado pelo piloto de testes William Marshall Magruder primeiro fez uma ascensão até 15.267 metros (50.090 pés) e depois mergulhou. A aeronave manteve durante 16 segundos a velocidade de 1.075 Km/h, que naquele nível de voo era equivalente a Mach 1.012.

Este voo histórico ocorreu nas proximidades da Base Aérea de Edwards, na Califórnia, de onde a aeronave havia decolado. O DC-8 foi acompanhado de perto por dois caças supersônicos, um F-100 Super Sabre e um F-104 Starfighter. O acompanhamento foi necessário tanto para fotos quanto para verificar a integridade da estrutura. Em condições normais, o DC-8 voava a 872 km/h, cerca de Mach 0.82.

DC-8 da NASA decola da Air Force Plant 42, em Palmdale, na Califórnia, em 2021. Foto: Carla Thomas/NASA

O objetivo do voo foi a coleta de dados. Para isto, além do copiloto, Paul Patten, estavam a bordo os engenheiros de voo Joseph Tomich e Richard Edwards. À época, a fabricante, a McDonnell Douglas, enfrentava a concorrência do Boeing 707 e do Convair 990 e investia no desenvolvimento aerodinâmico, ainda que jamais tenha havido a intenção de o DC-8 realizar operações supersônicas regulares.

A aeronave saiu intacta do teste. Em 15 de novembro do mesmo ano, foi entregue à Canadian Pacific Airlines, passando a voar com a matrícula CF-CPG. Pouco antes de completar 20 anos, em maio de 1981, foi desmontada no aeroporto Opa Locka, em Miami.

Entre 1958 e 1972, um total de 556 DC-8 foram construídos, inicialmente para transporte de passageiros e posteriormente como cargueiro, função desempenhada até hoje pelas últimas unidades em serviço. A aeronave também foi operada como laboratório em voo da NASA. No Brasil, o DC-8 voou com as cores da Panair, da VASP, da Varig, Skymaster e BETA Cargo.

DC-8 da Air Jamaica. Foto: Steve Fitzgerald

Humberto Leite

Autor

Edições de Asas

PRÉ VENDA – NOVA EDIÇÃO DA ASAS

Editora Rota Cultural, 2026 – Todos os Direitos Reservados – Site desenvolvido por Estúdios Labirinto.