Kaan conquista primeiro contrato e já mira exportação

O governo da Turquia assinou a aquisição de 20 caças de quinta geração Kaan. As aeronaves devem ser entregues pela Turkish Aerospace Industries (também chamada pelo acrônimo local TUSAŞ) entre 2028 e 2030.

Não serão os únicos Kaan turcos. Essas primeiras aeronaves serão do chamado Block 10, uma versão inicial ainda com menores capacidades operacionais. O foco inicial é comprovar a capacidade da linha de montagem. O fato de a Turquia ter entre 230 e 250 caças F-16 operacionais mostra o tamanho de sua força de combate.

A Turquia já flertava com a possibilidade de desenvolver um caça avançado, mas o projeto ganhou corpo em 2019, quando a opção por utilizar o sistema antiaéreo russo S-400 levou os Estados Unidos a expulsarem o país do programa do F-35. Agora, há a possibilidade de o Kaan se tornar um concorrente no mercado do caça norte-americano.

E já há uma possível exportação encaminhada. O governo da Espanha sinalizou a possibilidade de optar pelo Kaan para substituir seus caças EF-18 Hornet, no lugar do projeto Future Combat Air System (FCAS), iniciativa que hoje também conta com parcerias da França e da Alemanha, mas que está travada por conta de disputas entre Airbus e Dassault.

F-18 da Espanha. Foto: Nicholas Egan

Isso tem reduzido a crença de que FCAS estará disponível antes de 2040, sendo necessária uma alternativa mais rápida para substituir os EF-18. A Espanha também reluta em adquirir caças F-35, estando cada vez mais distanciada dos Estados Unidos, inclusive no contexto do atual conflito com o Irã, em que o governo espanhol proibiu sobrevoo de aeronaves envolvidas nas ações bélicas.

O desenvolvimento e a comercialização do Kaan mostra a independência política e militar da Turquia. Apesar de ser membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o país tem enfrentamentos políticos com aliados do grupo e quase vetou a entrada da Suécia.

A parceria com a Espanha também se baseia no alinhamento político: o reino ibérico luta contra o apoio internacional a movimentos separatistas, principalmente do País Basco e da Catalunha. É uma situação semelhante à da Turquia, que enfrenta o separatismo dos curdos, minoria étnica que recebeu apoio Ocidental para lutar contra Saddam Hussein e, posteriormente, contra o “Estado Islâmico”.

Humberto Leite

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