AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Marinha do Brasil recebe simulador de caças Skyhawk

Foto: Marinha do Brasil

O Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval Almirante José Maria do Amaral Oliveira (CIAAN), da Marinha do Brasil, recebeu o simulador de voo das aeronaves AF-1 B, no fim de novembro. A força naval conta com quatro monoposto AF-1 B e dois bipostos AF-1 C. O modelo é internacionalmente conhecido como A-4 Skyhawk.

O Advanced Aviation Training Device (AATD) é um sistema projetado para prover um ambiente realístico para pilotos executarem treinamentos de procedimentos e exercícios de voo da aeronave AF-1 B modernizada. Desenvolvido pela Embraer, o simulador proporciona treinamento eficiente a pilotos iniciantes e experientes, incluindo a adaptação ao cockpit, procedimentos normais, procedimentos de emergência, pouso e decolagem, coordenação de manobras básicas de voo, comunicação, navegação visual, navegação por instrumentos e sistema de armamento.

O AATD do AF-1B teve seu desenvolvimento iniciado em setembro de 2019, na unidade da Embraer em Gavião Peixoto (SP), onde as etapas do projeto foram realizadas em conjunto com o 1º Esquadrão de Interceptação e Ataque (EsqdVF-1).

Modernização

A Embraer realizou em 2022 a entrega do último caça modernizado AF-1 à Marinha do Brasil. O trabalho incluiu a instalação um sistema de Radar Warning Receiver (RWR), novos rádios de comunicação, sistema autônomo de geração de oxigênio (OBOGS), dois Color Multi-Function Display (CMFD) e um Head-Up Display (HUD), além da implantação de novos controle para permitir a operação chamada de HOTAS – Hands on Throttle and Stick. A aeronave é tecnologicamente adequada para o cenário da guerra aérea atual.

O principal destaque da modernização foi a adoção do radar EL/M 2032, com modos ar-ar, ar-solo e ar-mar, neste último caso sendo capaz de acompanhar até 64 embarcações ao mesmo tempo a distâncias de até 160 km. Com o modo de operação de abertura sintética inversa (ISAR) é possível elaborar uma imagem da silhueta do alvo, e assim identificá-lo.

O plano inicial de modernização de 12 aviões, sendo nove monoplaces e os três biplaces, foi reduzido para quatro monoplaces e dois biplaces. Com a perda da aeronave AF-1B matrícula N-1011, houve a mudança no contrato de modernização para envolver efetivamente cinco monoplaces, de modo a manter a frota com quatro unidades.

Um AF-1 da Marinha do Brasil em 2006, quando operou a bordo do porta-aviões A-12 São Paulo Foto: Rob Schleiffert

Apesar de não contar com porta-aviões, a Marinha do Brasil vê os AF-1 como estratégicos. Em apenas 30 minutos de voo, o caça alcança o limite da Zona Econômica Exclusiva (ZEE). Com três tanques suplementares, é possível ir até o arquipélago de Trindade e voltar. Essa capacidade de esclarecimento livra helicópteros como os SH-16 e os AH-11B da tarefa, além de reduzir o pedido de auxílio dos P-3AM da Força Aérea Brasileira.

Ao mesmo tempo, os AF-1 são utilizados para manter viva a doutrina de operações embarcadas. Mesmo no solo, as equipes de mecânicos utilizam os uniformes coloridos típicos da aviação embarcada. E, mais importante ainda, todos os pilotos do VF-1 têm a experiência de realizar pelo menos um pouso a bordo, em um porta-aviões dos EUA, quando fazem lá o curso operacional com os jatos T-45 Goshawk.

O último AF-1 entregue pela Embraer, em abril de 2022. Foto: Sergio Fujiki – Embraer

O Grupo Aeronaval de Manutenção tem se destacado para garantir a disponibilidade da frota. O maior exemplo é o AF-1 com matrícula N-1001: a aeronave se envolveu em um uma colisão no ar em 26 de julho de 2016, que resultou na perda do N-1011. Porém, o pessoal “da graxa” não desistiu do N-1001: após 1.711 dias em solo, o caça Skyhawk voou no dia 1º de abril de 2021.

Outro AF-1 também foi recuperado pelo Grupo Aeronaval de Manutenção. Trata-se do AF-1 com matrícula N-1013, que se envolveu em um acidente durante a decolagem, em 21 de outubro de 2019. Já o AF-1C com matrícula N-1022 teve trincas na asa direita identificadas em 2020, pouco mais de três anos após ser recebida modernizada, em abril de 2018. O próprio Grupo Aeronaval de Manutenção fez o reparo no avião. O trabalho foi de 15 de junho a 20 de agosto.

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