Missões reais como a realizada nesta semana na área marítima entre Fortaleza (CE) e São Luis (MA) mostram a relevância de novas tecnologias incorporadas. A localização do navio pesqueiro S.E. Pescados, com seis ocupantes, ocorreu por meio de tecnologias como radar de busca aérea e o Sistema de Planejamento de Apoio à Decisão SAR (SPAD-SAR).
A embarcação saiu de Itarema (CE) em 17 de agosto para uma atividade de pesca, com previsão de retorno em 30 dias. Dez dias depois, foi realizada a última comunicação. Agora, sabe-se que a embarcação perdeu o motor e ficou à deriva, sem rádio, por ter ficado sem geração de energia elétrica.

O Salvamar Nordeste, organização da Marinha do Brasil, utilizou o Sistema de Planejamento de Apoio à Decisão SAR (SPAD-SAR) para projetar a provável localização do pesqueiro. O equipamento permitiu definir as rotas de busca do navio de patrulha oceânico Araguari, que saiu de Natal (RN), e de um avião SC-105 Amazonas da Força Aérea Brasileira, que partiu de Campo Grande (MS).
A pronta-resposta do SC-105 chamou a atenção. Com duas tripulações, a aeronave decolou ainda à noite, se deslocando para a região de madrugada, com uma parada em Belém (PA), onde houve reabastecimento e troca de tripulantes. De lá, o voo já seguiu para área de buscas, antes de retornar para São Luis (MA), usado como base de operação nos dias seguintes, sempre com revezamento de tripulantes.
Encomendados em 2014 e recebidos em 2017, 2019 e 2020, o trio de SC-105 Amazonas do Esquadrão Pelicano não só aprimorou a missão por conta do maior alcance e espaço a bordo frente aos antigos SC-95 Bandeirante, como também revolucionou na área tecnológica. Os destaques ficam para o radar de abertura sintética multimodo ELTA EL/M-2022A(V)3, sistemas de comunicação via satélite e a torreta EO/IR (Electro-Optical and Infrared) FLIR System Star Safire. Os equipamentos são integrados por meio da suíte Fully Integrated Tactical System (FITS).

A capacidade de monitoramento é tamanha que aeronaves com configuração semelhante são usadas em alguns países para tarefas de patrulha marítima. O radar pode detectar alvos a até 320 km de distância ou concentrar sua energia para identificar pequenos contatos, como um bote ou até um periscópio de submarino. Alvos com movimento de até 140 km/h podem ser acompanhados. Já o Star Safire tem zoom de 71 vezes. Também são mantidas as grandes janelas de vidro para observadores, único meio de detecção disponível nos SC-95 e C-130 que a FAB utilizou no passado.
E foi exatamente com tecnologia que o pesqueiro cearense foi localizado, na tarde de 3 de setembro. A tripulação fez a detecção por radar e depois, ao se aproximar, fez a confirmação visual. Após a localização, a aeronave da FAB seguiu para São Luís para reabastecimento e retornou à área, permanecendo em sobrevoo sobre o barco pesqueiro para monitorar a embarcação e auxiliar na orientação do navio Araguari, que deu continuidade aos procedimentos de resgate, já às 23h.

Os seis tripulantes passaram por avaliação médica já a bordo do navio da Marinha do Brasil. O resgate causou comoção no Ceará, com o retorno dos tripulantes. Já o navio foi rebocado por uma empresa contratada até seu porto de origem.










