AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Possível veto ao F-35 aproxima a Tailândia de caças chineses 

Shenyang J-31. Foto: Danny Yu

A notícia divulgada pelo jornal Bangkok Post de que os Estados Unidos devem negar à Tailândia a venda de caças F-35 Lightning II abre a possibilidade de o país do sudeste asiático se tornar cliente de exportação de jatos de quinta geração da China, como o Chengdu J-20 ou o Shenyang J-31. Apesar de o Pentágono supostamente estar preparado para conceder uma resposta técnica a respeito da negativa para o F-35, as questões estão também no lado político.

Ainda que aliada dos Estados Unidos durante as guerras do Vietnã, Afeganistão e Iraque, quando permitiu o uso de suas bases por forças norte-americanas, e usuária de aeronaves militares de origem ocidental, mais notadamente cerca de 60 F-16AM/BM, 30 F-5E/F, dez C-130 Hércules e 12 novos T-6 Texan II encomendados, a Tailândia está cada vez mais sob influência econômica e política da China. Exercícios militares entre as duas nações têm se repetido. Em 2022, durante o treinamento Falcon Strike 2022, os caças J-10 e aviões de ataque JH-7 enviados por Pequim puderam se exercitar contra a força aérea da Tailândia, que garantiu não ter envolvido seus F-16.

J-20 Mighty Dragon

O treinamento teve também uma questão simbólica. O treinamento Falcon Strike 2022 aconteceu a partir da base de Udon Thani, no norte da Tailândia. O local foi amplamente utilizado pelos norte-americanos durante a Guerra do Vietnã e abrigou uma base secreta da CIA até, pelo menos, 2011. Quatro anos depois da saída dos norte-americanos, militares chineses começaram a frequentar a base aérea de Udon Thani em exercícios com a Tailândia.

Neste cenário, a explicação que uma fonte do Pentágono teria apresentado ao jornal Bangkok Post para a provável recusa da venda do F-35 parece ser superficial. De acordo com a reportagem, os Estados Unidos teriam avaliado que faltam à Tailândia instalações adequadas ao caça de quinta geração da Lockheed Martin, tanto em termos de infraestrutura quanto de estrutura, além da capacitação de pilotos e mecânicos. Vale lembrar que em 2019 os Estados Unidos vetaram a aquisição do F-35 pela Turquia, que havia investido no caça desde o seu desenvolvimento, por conta da opção turca de aquisição do sistema antiaéreo russo S-400.

JAS-39 C da Força Aérea da Tailândia. Foto: Aaron Oelrich

Gripen corre por fora

Os F-16 não são os caças mais avançados da Tailândia. A partir de 2011, o país se tornou um dos operadores do JAS-39C/D Gripen. Atualmente, são onze aeronaves em serviço. A possível negativa dos Estados Unidos para a venda dos F-35 também pode reacender a possibilidade de aquisição de mais caças da Saab, porém, autoridades militares da Tailândia já deram declarações de que há interesse de aquisição de caças de quinta geração.

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